Publicado em 14 de maio de 2026 às 08:24
Duas advogadas foram condenadas ao pagamento de uma multa superior a R$ 84 mil após a Justiça do Trabalho identificar a inserção de um comando oculto em uma petição protocolada no Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (TRT-8), no município de Parauapebas, sudeste do Pará. O caso ganhou repercussão após o magistrado responsável entender que houve tentativa de interferir no funcionamento de ferramentas de inteligência artificial utilizadas no sistema judiciário.>
Segundo a decisão, as profissionais teriam incluído no documento uma mensagem escondida em letras brancas sobre fundo branco invisível na leitura comum direcionada a sistemas de IA que eventualmente analisassem o conteúdo da ação. O texto instruía a tecnologia a realizar uma contestação superficial e a não questionar os documentos anexados ao processo.>
A prática é conhecida no meio digital como “prompt injection”, técnica usada para induzir inteligências artificiais a executarem comandos específicos sem que o usuário comum perceba. A estratégia chamou a atenção do juiz Luis Carlos de Araujo Santos Júnior, que classificou a conduta como um “ato atentatório à dignidade da Justiça”.>
Na decisão, o magistrado determinou multa equivalente a 10% do valor da causa trabalhista, fixada em R$ 842,5 mil, totalizando R$ 84.250,08. O caso também foi encaminhado à Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Pará (OAB-PA), que poderá avaliar eventual infração ética.>
De acordo com informações, o documentos em PDF podem conter comandos invisíveis capazes de ser interpretados por sistemas automatizados, inclusive ferramentas de IA. Para integrantes da área jurídica, o uso desse tipo de recurso compromete princípios como transparência, lealdade processual e boa-fé entre as partes.>
As advogadas Alcina Medeiros e Luanna Alves divulgaram nota conjunta contestando a decisão judicial. Segundo elas, não houve tentativa de manipular magistrados nem servidores do tribunal. A defesa sustenta que o objetivo era impedir que ferramentas de inteligência artificial utilizadas por terceiros interferissem na elaboração de contestações no processo.>
O TRT-8 permite atualmente o uso da plataforma de inteligência artificial “Galileu” como apoio em atividades internas da Corte. Esse tipo de episódio reacende o debate sobre os limites éticos do uso de IA no meio jurídico e os riscos de manipulação digital dentro do sistema de Justiça.>