PMs da Baixada Fluminense são alvos de operação por receber propina do Comando Vermelho

Investigados integravam uma antiga equipe apelidada de "Irmãos Metralha" e cobravam suborno para fechar os olhos para o tráfico em Japeri.

Publicado em 3 de julho de 2026 às 09:24

PMs da Baixada Fluminense são alvos de operação por receber propina do Comando Vermelho
PMs da Baixada Fluminense são alvos de operação por receber propina do Comando Vermelho Crédito: Reprodução/MPRJ

Uma ação de combate à corrupção policial movimentou a Baixada Fluminense na manhã desta sexta-feira (3). O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Rio de Janeiro, mirou dois policiais militares suspeitos de fechar acordos financeiros com o tráfico de drogas. A investigação aponta que os agentes recebiam dinheiro de criminosos ligados à facção Comando Vermelho para aliviar o policiamento e permitir o livre comércio de entorpecentes em comunidades do município de Japeri.

A força-tarefa mobilizou equipes da Corregedoria-Geral da PM e da Coordenadoria de Segurança e Inteligência. Ao todo, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão autorizados pela Auditoria da Justiça Militar. As buscas se concentraram em imóveis nas cidades de Nova Iguaçu e Queimados, além do 20º Batalhão da PM, localizado em Mesquita, onde os alvos da operação trabalham atualmente. Todo o material recolhido será analisado para encorpar o inquérito.

O rastro dos "Irmãos Metralha"

O esquema começou a vir à tona a partir de uma apuração anterior focada em outro policial, Alan Silva do Nascimento. Ele carrega um histórico pesado: já foi denunciado por assassinato e possui condenações por envolvimento com o tráfico e por carregar um fuzil e munições de uso restrito.

Foi puxando esse fio que o Ministério Público descobriu que Alan e os membros de sua antiga equipe de patrulhamento ironicamente apelidada na região de "Irmãos Metralha" dividiam os lucros da corrupção. Os dois PMs que sofreram as buscas nesta sexta-feira faziam parte desse grupo quando trabalhavam no 24º Batalhão, unidade que cuida da segurança de municípios como Queimados, Japeri, Paracambi, Seropédica e Itaguaí.

Os envolvidos agora respondem formalmente pelos crimes de corrupção passiva majorada e associação criminosa armada.

Até o momento, a defesa do policial Alan Silva do Nascimento não foi localizada para comentar as acusações. A Polícia Militar também foi procurada para se posicionar sobre o envolvimento de seus integrantes, mas ainda não enviou resposta. O espaço permanece aberto para os esclarecimentos dos citados.