Polícia desarticula quadrilha acusada de furtar petróleo de dutos no RJ

Operação conjunta mira esquema interestadual que teria causado prejuízo milionário e utilizava fazenda em Guapimirim como base clandestina.

Publicado em 22 de janeiro de 2026 às 07:41

Polícia desarticula quadrilha acusada de furtar petróleo de dutos no RJ
Polícia desarticula quadrilha acusada de furtar petróleo de dutos no RJ Crédito: Reprodução/TV Globo

Uma ação integrada da Polícia Civil do Rio de Janeiro e do Ministério Público estadual foi deflagrada nesta quinta-feira (22), para desarticular uma organização criminosa especializada no furto de petróleo diretamente de dutos em operação. A ofensiva tem como alvos 13 investigados e apura um prejuízo estimado em mais de R$ 5,8 milhões.

As investigações, conduzidas pela Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), apontam que o grupo atuava a partir de perfurações ilegais em dutos operados pela Transpetro. O núcleo do esquema funcionava em uma propriedade rural localizada em Guapimirim, na Baixada Fluminense, onde o produto subtraído era armazenado e preparado para distribuição. Até o momento, seis pessoas já foram presas.

Entre os detidos estão Elton Félix de Oliveira, Patrick Teixeira Vidal, Washington Tavares de Oliveira, Leandro Ferreira de Oliveira, Jairo Lopes Claro e Caio Victor Soares Diniz Ferreira. Além das prisões, os agentes cumprem 16 mandados de busca e apreensão para recolher documentos, equipamentos e outros materiais considerados essenciais para o avanço das apurações.

Segundo a polícia, o esquema era dividido em etapas bem definidas. Inicialmente, os criminosos realizavam a violação clandestina dos dutos subterrâneos, mantendo o local sob vigilância armada para evitar a descoberta. Em seguida, o petróleo era rapidamente transferido para caminhões-tanque previamente posicionados. O transporte ocorria por rotas interestaduais estratégicas, até chegar à fase final: a comercialização do produto, feita com o uso de empresas de fachada e emissão de notas fiscais falsas.

De acordo com a DDSD, a documentação fraudulenta classificava o petróleo bruto como “resíduo oleoso”, o que dava aparência legal a um material de origem criminosa. O método, segundo os investigadores, demonstra alto grau de organização, com uso de tecnologia, logística planejada e divisão hierárquica de funções.

A escolha da fazenda em Guapimirim, conforme a apuração, teve caráter estratégico. O local permitia controle de acesso, dificultava a fiscalização e garantia a continuidade das atividades ilícitas em larga escala. A polícia informou, no entanto, que não encontrou indícios de participação de Shanna Garcia ou Tamara Garcia, filhas de Waldomiro Paes Garcia, conhecido como Maninho, em relação ao esquema investigado.

A operação não se limita ao território fluminense. Mandados também são cumpridos simultaneamente em São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná e Santa Catarina, o que reforça o caráter interestadual da atuação do grupo.

As investigações seguem em andamento para identificar outros envolvidos e aprofundar a análise sobre a rota de distribuição e o destino do petróleo furtado.