Polícia investiga mortes de bebês após denúncias de 36 mães em hospital de São Paulo

Famílias suspeitam de infecções hospitalares e falhas na assistência médica

Publicado em 23 de outubro de 2026 às 10:22

Famílias suspeitam de infecções hospitalares e falhas na assistência médica
Famílias suspeitam de infecções hospitalares e falhas na assistência médica Crédito: Reprodução

A Polícia Civil de São Paulo investiga mortes de bebês no Hospital Salvalus, na Mooca, zona leste da capital. O inquérito apura seis casos, mas uma advogada que representa as famílias afirma estar em contato com 36 mães que perderam os filhos na unidade, administrada pela rede Hapvida.

As denúncias apontam suspeitas de infecções adquiridas durante a internação e possíveis falhas na assistência médica. Segundo relatos das famílias, algumas crianças desenvolveram quadros graves, como sepse, choque séptico e infecções bacterianas, antes de morrer.

Houveram 16 certidões de óbito relacionadas aos casos, de acordo com o Metrópoles. O número total de mortes, no entanto, ainda não foi confirmado.

A Secretaria da Segurança Pública informou que as ocorrências foram comunicadas à polícia na quarta-feira (21). Os investigadores realizam diligências, ouvem profissionais de saúde e testemunhas e analisam os prontuários médicos para esclarecer as causas das mortes.

Famílias relatam complicações durante internações

Entre os casos está o de Gael França da Silva, que tinha quatro meses quando foi levado ao hospital com inflamação na garganta. Segundo o relato da mãe à polícia, o bebê apresentou sinais de infecção no dia seguinte, precisou ser internado na UTI e desenvolveu necrose no pé após receber medicação intravenosa. Ele morreu aos sete meses, com choque séptico e pneumonia registrados na certidão de óbito.

Outro caso é o de Guilherme Ferreira Miranda, que morreu em maio, após cerca de um mês de internação. A mãe relatou episódios de paradas cardiorrespiratórias, sangramento e suspeita de infecção. A certidão de óbito apontou choque, coagulação intravascular disseminada e atresia das vias biliares.

Já Alice Vitória de Andrade Reis morreu aos 1 ano, após passar seis meses internada. A mãe suspeita que a filha tenha contraído uma infecção bacteriana durante a hospitalização. A criança tinha outras condições de saúde, e a certidão de óbito registrou, entre as causas da morte, insuficiência respiratória aguda, ventriculite infecciosa e sepse de foco pulmonar.

As suspeitas apresentadas pelas famílias ainda precisam ser esclarecidas pela investigação policial.

O que diz o hospital

Em nota, a rede Hapvida afirmou que os pacientes citados apresentavam condições clínicas diferentes e graves e receberam assistência contínua, com acompanhamento de profissionais de diversas especialidades.

A empresa também declarou que os tratamentos foram individualizados conforme as necessidades e a evolução clínica de cada paciente. A unidade informou ainda que mantém um canal aberto para ouvir as famílias e prestar esclarecimentos, respeitando o sigilo médico.

Com informações do Metrópoles