Polícia investiga nove mortes suspeitas de execução em um mês em SP

Corpos foram encontrados esquartejados, ensacados ou carbonizados; Secretaria da Segurança descarta atuação de serial killer

Publicado em 7 de outubro de 2026 às 15:56

Polícia Civil de São Paulo instaurou inquéritos para apurar ao menos nove mortes com características de execução ocorridas na capital paulista.
Polícia Civil de São Paulo instaurou inquéritos para apurar ao menos nove mortes com características de execução ocorridas na capital paulista. Crédito: Reprodução/Redes Sociais

A Polícia Civil de São Paulo instaurou inquéritos para apurar ao menos nove mortes com características de execução ocorridas na capital paulista em um período de aproximadamente 30 dias, entre o início de setembro e o começo de outubro. Conduzidas pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), as averiguações abrangem quatro casos na Zona Leste, três na Zona Sul, um na Zona Norte e um na Zona Oeste, enquanto a região central não teve ocorrências dessa natureza.

Das nove vítimas localizadas, oito já foram formalmente identificadas, sendo sete homens e uma mulher. Segundo a polícia, parte dos mortos possuía registros e passagens criminais anteriores, elemento que reforça a suspeita de assassinatos praticados por outros criminosos. Até o momento, nenhum suspeito foi detido.

As circunstâncias em que as vítimas foram abandonadas apontam padrões de violência extrema, incluindo cadáveres colocados em sacos plásticos, enrolados em lençóis ou cobertores, decapitados, esquartejados, baleados ou queimados.

Entre os episódios investigados destacam-se:

- 5 de setembro: corpo localizado inteiramente amarrado e ensacado em via pública no Jabaquara, na Zona Sul;

- 19 de setembro: cadáver achado esquartejado em um barranco no Jaçanã, na Zona Norte;

- 27 de setembro: cabeça humana abandonada em uma praça no Jardim São Luís, também na Zona Sul.

Diante de especulações levantadas em redes sociais sobre a atuação de um assassino em série, o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, rechaçou essa possibilidade. O titular da pasta enfatizou que as apurações indicam eventos distintos e sem vínculo de autoria entre si. De acordo com os investigadores, não há evidências de que as vítimas tivessem qualquer relação ou convivência prévia.

Em comunicado oficial, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) ressaltou que o DHPP trabalha de maneira individualizada em cada inquérito e já apura suspeitos e motivações nos episódios em que as vítimas foram reconhecidas. As linhas de apuração englobam vingança, desavenças, justiçamento e possível envolvimento de facções criminosas, a exemplo do Primeiro Comando da Capital (PCC).

A SSP esclareceu ainda que o emprego de sacos e tecidos nos locais de descarte está associado a manobras para transporte e ocultação de cadáveres, não representando conexão entre os crimes.