Prefeito que chamou Gusttavo Lima de 'ladrão' vira réu por compra de votos

Ministério Público Eleitoral aponta Cléber Chaparral como mentor de um suposto esquema nas eleições de 2024; defesa nega as acusações.

Publicado em 30 de junho de 2026 às 15:37

Ministério Público Eleitoral aponta Cléber Chaparral como mentor de um suposto esquema nas eleições de 2024; defesa nega as acusações.
Ministério Público Eleitoral aponta Cléber Chaparral como mentor de um suposto esquema nas eleições de 2024; defesa nega as acusações. Crédito: Redes Sociais

Nesta terça-feira (30), o prefeito de Surubim (PE), Cléber Chaparral (União), tornou-se réu na Justiça Eleitoral por suposta compra de votos nas eleições de 2024. A denúncia do Ministério Público Eleitoral também cita a prefeita de Casinhas (PE), Juliana Barbosa da Silva Aguiar, esposa do gestor, e Jonas Luiz do Nascimento, apontando os três como envolvidos em um esquema para obtenção de apoio político. O caso ganhou repercussão dias após Chaparral chamar o cantor Gusttavo Lima de "ladrão" pelo cancelamento de um show na cidade.

Segundo a denúncia, o grupo teria oferecido dinheiro, materiais de construção, exames médicos e cirurgias a eleitores de Surubim em troca de votos durante a campanha eleitoral.

As investigações começaram após a polícia abordar Jonas Luiz do Nascimento em uma situação considerada suspeita enquanto acompanhava uma comitiva de Juliana Barbosa. Conforme o Ministério Público, ele fugiu ao perceber a aproximação da viatura, abandonando um veículo onde foram encontrados R$ 23,7 mil em dinheiro, listas de eleitores organizadas por localidades, anotações sobre compromissos políticos e solicitações de exames e cirurgias de catarata.

O caso foi encaminhado à Polícia Federal por envolver possível crime eleitoral. De acordo com a corporação, os materiais apreendidos sustentam a existência de indícios de organização e circulação de vantagens indevidas com o objetivo de obter votos ou apoio político.

Na época dos fatos investigados, Cléber Chaparral era deputado estadual. A Justiça Eleitoral, no entanto, entendeu que o caso não possui relação com o exercício do mandato e afastou a aplicação do foro por prerrogativa de função.

Além da condenação pelos crimes apontados, o Ministério Público Eleitoral pediu que os denunciados sejam obrigados a pagar R$ 100 mil por danos morais coletivos.

Em nota, a defesa de Cléber Chaparral afirmou que os fatos já foram analisados anteriormente em uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral, julgada improcedente pela Justiça. Segundo os advogados, a decisão afastou a existência de abuso de poder, compra de votos, distribuição de dinheiro, materiais de construção, consultas médicas e outras irregularidades.

A defesa também destacou que o Ministério Público Eleitoral participou da ação anterior e não recorreu da sentença, sustentando que não existem novas provas capazes de modificar o entendimento da Justiça. Ainda segundo os advogados, a denúncia não aponta nenhum eleitor que tenha recebido benefício em troca de voto nem individualiza condutas atribuídas ao prefeito.

A defesa informou que confia na Justiça Eleitoral e acredita que a ação penal terá o mesmo desfecho da investigação anterior. A reportagem original informa que os advogados dos demais réus foram procurados, mas não haviam se manifestado até a publicação.

Entenda a polêmica com Gusttavo Lima

No último sábado (27), Cléber Chaparral criticou publicamente Gusttavo Lima após o cantor cancelar a apresentação que faria no São João de Surubim. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o prefeito chamou o artista de "ladrão" e cobrou a devolução do valor pago pelo município, afirmando ainda que os equipamentos do show não deixariam a cidade até que o dinheiro fosse restituído.

Gusttavo Lima explicou a ausência nas redes sociais e informou que sofreu uma intoxicação alimentar. O cantor pediu desculpas ao público e afirmou que estava com fortes sintomas que impediram a realização da apresentação.