Relatório final pede indiciamento de ministros do STF e do procurador-geral

Documento apresentado por Alessandro Vieira reúne mais de 200 páginas.

Publicado em 14 de abril de 2026 às 07:20

Relatório final pede indiciamento de ministros do STF e do procurador-geral
Relatório final pede indiciamento de ministros do STF e do procurador-geral Crédito:  Geraldo Magela/Agência Senado

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) apresentou nesta terça-feira (14) o relatório final da CPI do Crime Organizado no Senado, marcando o encerramento dos trabalhos da comissão após 120 dias de investigação. Entre os principais pontos do parecer, o documento solicita o indiciamento dos ministros do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, sob a alegação de possíveis crimes de responsabilidade.

Com mais de 200 páginas, o texto consolida o resultado de quatro meses de apurações sobre a atuação, a estrutura e o avanço de organizações criminosas no país. Ao longo desse período, a CPI realizou 18 reuniões, analisou 134 documentos e recebeu 312 requerimentos, segundo dados do próprio colegiado. A comissão chegou ao fim sem ter o prazo prorrogado, apesar do pedido do relator por mais 60 dias de trabalho.

No relatório, Alessandro Vieira sustenta que houve condutas incompatíveis com o exercício das funções públicas por parte das autoridades citadas. Entre os argumentos apresentados estão supostos conflitos de interesse, questionamentos sobre decisões judiciais e suspeições em julgamentos que, segundo o senador, teriam impactado diretamente o andamento de investigações ligadas ao crime organizado e à lavagem de dinheiro.

Em relação ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, o documento aponta uma suposta omissão diante de elementos que a CPI considerou relevantes durante a apuração. O relatório também menciona decisões judiciais que, na avaliação da comissão, limitaram o alcance das investigações, como a suspensão de medidas aprovadas pelo colegiado, a conversão de convocações em convites e restrições ao acesso de informações financeiras.

Um dos eixos centrais do parecer é o chamado caso Banco Master, apontado pelo relator como um dos episódios mais sensíveis investigados pela CPI. O texto cita indícios de irregularidades financeiras e possível ligação com esquemas de lavagem de dinheiro, tema que, segundo o relatório, deverá ser aprofundado por órgãos competentes em investigação específica.

Além dos pedidos de indiciamento, o documento apresenta propostas legislativas para endurecer o combate ao crime organizado. Entre as sugestões estão a ampliação de mecanismos para bloqueio de ativos, o aumento de penas para crimes de lavagem de dinheiro e novas medidas de transparência financeira.

O relatório final será encaminhado aos órgãos responsáveis, que deverão analisar o conteúdo e decidir sobre eventuais providências jurídicas e institucionais. A leitura e votação do parecer acontecem no último dia de funcionamento da CPI, instalada em novembro do ano passado.