Ataque com arma de choque em Belém: quem são os estudantes e o que pode acontecer agora

Vítima foi encaminhada a abrigo municipal, enquanto Polícia Civil e MPF apuram responsabilidades e possível ligação com ataques anteriores

Publicado em 14 de abril de 2026 às 10:54

Ataque com arma de choque em Belém: quem são os estudantes e o que pode acontecer agora
Ataque com arma de choque em Belém: quem são os estudantes e o que pode acontecer agora Crédito: Reprodução/Redes Sociais

A agressão contra um homem em situação de rua, registrada em vídeo na última segunda-feira (13), em Belém, deixou de ser apenas um caso isolado de violência para se tornar um episódio que levanta uma série de questionamentos sobre segurança, responsabilidade e até a legalidade do uso de armas de choque por civis.

O ataque ocorreu nas proximidades do Centro Universitário do Estado do Pará, no bairro do Umarizal, e ganhou grande repercussão nas redes sociais. Nas imagens, um estudante aparece surpreendendo a vítima por trás e aplicando descargas elétricas com um taser, enquanto outro registra a ação.

A vítima não reage. Já os suspeitos aparecem rindo, o que intensificou a indignação popular.

Altemar Sermanto Filho (a esquerda) foi o autor das agressões e Antônio Coelho (a direita) gravava a ação. 
Altemar Sermanto Filho (a esquerda) foi o autor das agressões e Antônio Coelho (a direita) gravava a ação.  Crédito: Reprodução/Redes Sociais

Segundo a polícia, os envolvidos foram identificados como Altemar Sarmento Filho, apontado como autor das agressões registradas nas imagens, e Antônio Coelho, que teria sido responsável por filmar a cena. A instituição de ensino informou que ambos foram afastados de suas atividades acadêmicas.

A Polícia Civil do Pará segue investigando o caso, após o atendimento inicial da Polícia Militar do Pará, que apreendeu o equipamento e conduziu um dos envolvidos à delegacia. Ele foi ouvido e liberado.

Com a repercussão, o Ministério Público Federal também abriu apuração e solicitou informações às autoridades e à instituição de ensino.

Suspeita de ataques anteriores amplia gravidade do caso

Um dos pontos que mais chama atenção é a possibilidade de que a agressão não tenha sido um episódio isolado. Vídeos registrados nos dias 16 e 17 de fevereiro, na mesma área da avenida Alcindo Cacela, mostram ações semelhantes.

Segundo testemunhas, os agressores chegavam em dois carros, cometiam os ataques, filmavam e fugiam. As imagens indicam que a vítima desses registros antigos tem características muito semelhantes às do homem agredido nesta semana.

A hipótese de que o mesmo grupo esteja por trás das ações passa a ser considerada e deve ser aprofundada pelas investigações.

Uso de taser por civis 

Outro ponto que entrou no debate é o uso do taser. O equipamento, classificado como arma de choque, tem uso controlado no Brasil e, em geral, é restrito a forças de segurança ou depende de autorização específica.

A presença do dispositivo nas mãos de um estudante levanta dúvidas sobre como ele foi adquirido e se havia autorização para o porte, o que também pode configurar irregularidade.

Agressão pode configurar lesão corporal

Do ponto de vista jurídico, especialistas apontam que a conduta pode ser enquadrada como lesão corporal, já que houve agressão física contra a vítima. O fato de o ataque ter sido registrado e, supostamente, repetido, pode agravar a situação dos envolvidos.

Além disso, a condição de vulnerabilidade da vítima — um homem em situação de rua — pode ser considerada no decorrer da apuração.

Vítima é acolhida e caso segue em investigação

Após o episódio, o prefeito Igor Normando informou que o homem foi localizado e encaminhado ao Espaço Acolher, onde passa a receber assistência social.

O Centro Universitário do Estado do Pará afastou os alunos envolvidos e abriu procedimento interno.

Enquanto isso, o caso segue sob investigação e deve avançar tanto na esfera criminal quanto administrativa, especialmente diante da possibilidade de que outras agressões estejam relacionadas ao mesmo grupo.