Reportagem revela que Master pagou R$ 5 milhões ao escritório de Lewandowski quando ele já era ministro

Contrato tinha o valor de R$ 250 mil mensais, e atualmente, os sócios são dois filhos do ex-ministro.

Publicado em 26 de janeiro de 2026 às 19:21

Ministro da Justiça e da Segurança Pública, Ricardo Lewandowski
Ministro da Justiça e da Segurança Pública, Ricardo Lewandowski Crédito: Marcelo Camargo - Agência Brasil

Uma reportagem publicada na Coluna Andreza Matais, no Portal Metrópoles, apurou que o Banco Master pagou R$ 5 milhões ao escritório do ex-ministro Ricardo Lewandowski, quando ele já estava no Ministério da Justiça.

Segundo a reportagem, o contrato entre o escritório de advocacia do ex-ministro e o banco Master continuou por quase dois anos depois de ele assumir a pasta da Justiça e Segurança Pública do governo Lula (PT). O contrato de consultoria jurídica tinha o valor de R$ 250 mil mensais.

A contratação teria atendido a um pedido de Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado. Jaques também indicou o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega para o Master.

O contrato entre o Master e o Lewandowski Advocacia foi assinado no dia 28 de agosto de 2023, e os pagamentos prosseguiram até o mês de setembro de 2025, quando Lewandowski já estava no Ministério da Justiça havia 21 meses — ele assumiu o cargo em janeiro de 2024.

Os cálculos indicam que o contrato com o Master rendeu cerca de R$ 6,5 milhões brutos ao escritório da família de Lewandowski, dos quais R$ 5,25 milhões após a ida dele para o MJSP.

Ao assumir o cargo no MJSP, o ex-ministro deixou a sociedade de advogados. A saída dele foi formalizada no dia 17 de janeiro daquele ano. Atualmente, os sócios são dois filhos do ex-ministro: Enrique de Abreu Lewandowski e Yara de Abreu Lewandowski.

De acordo com a apuração, o objeto do contrato era a “prestação de serviços de consultoria jurídica e institucional de caráter estratégico” por parte do Lewandowski Advogados para o Master, e Lewandowski teria como tarefa participar das reuniões do Comitê Estratégico do Banco Master. No entanto, durante todo o período do contrato, ele só esteve em duas dessas reuniões.

A assessoria do ex-ministro respondeu à coluna que ele deixou seu escritório de advocacia após aceitar o convite para o MJS, deixando de atuar em todos os casos.

Procurado pela coluna, Jaques Wagner confirmou ter indicado Lewandowski para a direção do Master, mas negou ter indicado Guido Mantega.