Publicado em 10 de julho de 2026 às 11:04
Meteorologistas monitoram a possibilidade de formação de um Super El Niño em 2026, fenômeno climático provocado pelo aquecimento intenso das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Quando ocorre, ele altera os padrões de chuva e temperatura em várias regiões do mundo, com impactos que podem atingir a economia, a produção de alimentos e o cotidiano da população.>
Na Região Norte, incluindo Belém e o restante do Pará, os efeitos mais comuns são a redução das chuvas, o aumento das temperaturas e a diminuição dos níveis dos rios. O cenário pode dificultar o transporte fluvial, afetar comunidades ribeirinhas, favorecer queimadas e incêndios florestais e prejudicar atividades agrícolas, com reflexos nos preços de alimentos como frutas, verduras, legumes, milho e soja.>
Embora especialistas descartem uma crise semelhante à registrada durante a Grande Seca de 1877, considerada uma das mais severas da história, há preocupação com os impactos econômicos e ambientais que um evento de forte intensidade pode provocar.>
Diante desse cenário, a Prefeitura de Belém está elaborando o Plano Municipal de Enfrentamento ao Super El Niño 2026–2027. A construção do planejamento reúne 35 órgãos municipais, estaduais e federais e tem como objetivo coordenar ações de prevenção, adaptação e resposta para minimizar os efeitos do fenômeno na capital paraense.>
Segundo projeções consideradas pelo município, há mais de 90% de probabilidade de permanência do El Niño até o início de 2027, com intensidade entre forte e muito forte. Para a Amazônia, os estudos apontam redução das chuvas, aumento das temperaturas, queda da umidade do solo e maior risco de incêndios.>
O plano será estruturado em três eixos: mitigação e adaptação, resiliência urbana e infraestrutura, e comunicação e governança. Entre as medidas previstas estão o plantio de um milhão de árvores, ampliação da arborização urbana, implantação de microflorestas, corredores verdes, jardins de chuva e outras soluções voltadas à redução das ilhas de calor e ao aumento da infiltração da água no solo.>
Outra iniciativa será a criação do Protocolo de Alerta e Enfrentamento ao Calor Extremo, com quatro níveis de alerta e ações graduais de resposta. As medidas incluem reforço da comunicação preventiva, instalação de pontos de hidratação, oferta de áreas de sombra, atendimento a pessoas em situação de vulnerabilidade e fortalecimento da rede municipal de saúde.>
O planejamento prioriza grupos mais vulneráveis aos efeitos do calor intenso, como crianças, idosos, gestantes, pessoas com doenças crônicas, trabalhadores expostos ao sol, moradores de áreas com pouca cobertura vegetal, comunidades ribeirinhas e pessoas em situação de rua.>
A coordenação técnica do plano ficará a cargo da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), enquanto a Defesa Civil Municipal será responsável pelas ações operacionais de monitoramento, prevenção e resposta aos impactos do fenômeno. O objetivo é preparar Belém para enfrentar possíveis eventos climáticos extremos e reduzir os riscos à população.>