Ex-gerente planejou sequestro de patrão e desviou R$ 8 milhões em esquema de boletos falsos

Operação da PC cumpre 27 mandados para desmantelar quadrilha formada por funcionários que usavam empresas de fachada para lavar dinheiro de empresa médica.

Publicado em 10 de julho de 2026 às 11:33

Ex-gerente planejou sequestro de patrão e desviou R$ 8 milhões em esquema de boletos falsos
Ex-gerente planejou sequestro de patrão e desviou R$ 8 milhões em esquema de boletos falsos Crédito: Reprodução/PCPR

Uma impressionante história de traição corporativa e crime organizado ganhou um novo capítulo na manhã desta sexta-feira (10). A Polícia Civil do Paraná deflagrou uma megaoperação para desmantelar uma quadrilha que envolve ex-funcionários e conhecidos do dono de uma empresa de produtos médicos de Curitiba. O grupo é suspeito de criar um esquema sofisticado que desviou e lavou mais de R$ 8 milhões do próprio negócio da vítima, crime que só começou a vir à tona após o sequestro do empresário, de 58 anos, ocorrido em setembro de 2024.

Para desarticular o braço financeiro dessa organização criminosa, os agentes saíram às ruas para cumprir 27 mandados judiciais, que incluem buscas, apreensões e o bloqueio de contas e valores. A ação aconteceu ao mesmo tempo em Curitiba, São José dos Pinhais e Almirante Tamandaré, no Paraná, além de se estender até Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Ao todo, as autoridades já identificaram 11 pessoas envolvidas no esquema fraudulento.

A engenharia do golpe era interna e muito bem planejada. Entre janeiro e setembro de 2024, os envolvidos emitiram e pagaram 46 boletos falsos. Esse dinheiro saía direto da empresa da vítima para as contas de empresas de fachada criadas pelos próprios criminosos para dar uma aparência de legalidade ao desvio.

A mente por trás de toda a operação era ninguém menos que a ex-gerente administrativa do local, que também cuidava do setor financeiro. Ela acabou sendo presa em abril deste ano, em São José dos Pinhais, após as investigações provarem sua liderança no caso.

O estopim para que toda a farsa fosse descoberta foi o sequestro do empresário no bairro Jardim Botânico, na capital paranaense. Na época do crime, sete pessoas foram presas pela polícia enquanto tentavam extorquir mais R$ 3 milhões da vítima. Com o avanço dos depoimentos e das perícias financeiras, os policiais descobriram que a ambição do grupo era ainda maior e que o sequestro foi apenas o ato final de um longo período de roubos silenciosos de dentro da própria companhia.