Saiba quem é Tatiana Sampaio, pesquisadora que devolveu movimentos a paraplégicos

Em um grupo de oito voluntários, seis apresentaram melhoras consideráveis, incluindo retorno de movimentos em membros afetados.

Publicado em 14 de fevereiro de 2026 às 15:40

(A cientista brasileira, bióloga e professora doutora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Tatiana Sampaio)
(A cientista brasileira, bióloga e professora doutora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Tatiana Sampaio) Crédito: Reprodução Instagram/Redes Sociais

A cientista brasileira, bióloga e professora doutora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Tatiana Sampaio, ganhou destaque internacional após liderar estudos sobre a polilaminina, molécula extraída da placenta humana, substância experimental que apresentou resultados promissores na recuperação de movimentos em pacientes paraplégicos. Essa pesquisa promete revolucionar o tratamento de lesões na medula espinhal.

Especialista na área de biomedicina e regeneração neural, Tatiana coordena o Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, é lá que ocorre as pesquisas voltadas à reconstrução de conexões da medula espinhal, uma das maiores dificuldades no tratamento de lesões neurológicas graves. O foco do trabalho é estimular a regeneração de neurônios danificados, permitindo que impulsos nervosos voltem a percorrer áreas antes comprometidas ou lesionadas.

A descoberta da polilaminina, uma forma polimerizada e "turbinada" da laminina natural, ocorreu quase por acaso em 1997-1998, durante estudos sobre proteínas da placenta que auxiliam na orientação e reconexão de neurônios durante o desenvolvimento embrionário.

O que é a polilaminina?

A polilaminina é uma molécula sintética desenvolvida para atuar como uma espécie de “ponte biológica” na medula espinhal lesionada. Em estudos experimentais, a substância demonstrou capacidade de estimular o crescimento de fibras nervosas, reduzir processos inflamatórios, favorecer a reconexão entre neurônios e contribuir para a recuperação parcial de movimentos.

Os resultados mais recentes indicam que pacientes com lesões medulares crônicas conseguiram recuperar movimentos antes considerados irreversíveis, o que reacendeu a esperança na medicina regenerativa.

Como a polilaminina atua

A laminina forma uma malha que facilita a comunicação entre células nervosas, mas torna-se rara no organismo adulto após lesões. A polilaminina, produzida em laboratório, é aplicada diretamente na região lesionada da medula e estimula a reorganização de circuitos nervosos, promovendo a regeneração axonal (crescimento de novos "fios" neurais) e reduzindo inflamação. Isso permite que impulsos elétricos voltem a circular, recuperando movimentos e sensibilidade em casos de paraplegia ou tetraplegia causados por traumas (acidentes, quedas ou lesões esportivas).

Resultados preliminares da pesquisa 

Em estudos iniciais com humanos (fase preliminar, sem revisão por pares completa em alguns relatos), pacientes com lesões medulares graves recuperaram parcial ou totalmente movimentos. Um caso notório é o do bancário Bruno Drummond de Freitas, que sofreu tetraplegia após acidente de carro em 2018 e, após aplicação da polilaminina, recuperou mobilidade significativa.

Em um grupo de oito voluntários, seis apresentaram melhoras consideráveis, incluindo retorno de movimentos em membros afetados, resultados descritos como "sem precedentes" ou "extraordinários" pela equipe.

Testes em animais (ratos, cães) e humanos iniciais mostraram segurança e eficácia promissora, com evolução de pacientes de lesões completas (sem movimento abaixo da lesão) para recuperação parcial de força e sensibilidade.

A pesquisa é desenvolvida em parceria com o laboratório farmacêutico Cristália e contou com apoio da FAPERJ (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro). Em 2026, a Anvisa autorizou a fase 1 de testes clínicos em humanos para avaliar segurança em pacientes com lesões recentes, marcando um avanço rumo à aprovação como medicamento.

Impacto da pesquisa

O trabalho liderado por Tatiana Sampaio é considerado um avanço importante no tratamento de paraplegia, condição que afeta milhares de pessoas no Brasil e no mundo. Embora o tratamento ainda esteja em fase de estudos clínicos e dependa de aprovação regulatória para uso amplo, os resultados preliminares são vistos como um marco científico.

A pesquisadora destaca que os avanços são fruto de anos de investigação e reforça que o objetivo é oferecer alternativas seguras e acessíveis para pacientes com lesões medulares.

A descoberta coloca o Brasil em evidência no cenário internacional da neurociência e da biotecnologia, além de abrir caminho para novas pesquisas em regeneração do sistema nervoso central.