São Paulo registra maior número de feminicídios em 2025

Alta nos assassinatos de mulheres contrasta com leve recuo nos casos de estupro; capital também atinge recorde, segundo dados oficiais.

Publicado em 30 de janeiro de 2026 às 11:48

São Paulo registra maior número de feminicídios da série histórica em 2025
São Paulo registra maior número de feminicídios da série histórica em 2025 Crédito: Reprodução/Agência Brasil

O estado de São Paulo encerrou 2025 com o maior número de feminicídios desde o início da contabilização oficial, em 2018. Ao longo do ano, 266 mulheres foram mortas em crimes classificados como feminicídio, superando o total registrado em 2024 e consolidando uma tendência de crescimento que acende o alerta das autoridades e de especialistas em segurança pública.

O avanço representa um aumento de aproximadamente 8% em relação ao ano anterior, quando 246 ocorrências haviam sido contabilizadas. Para efeito de comparação, no primeiro ano da série histórica, em 2018, o estado registrou 136 casos, praticamente a metade do volume atual.

A capital paulista também atingiu o maior patamar já observado. Em 2025, foram confirmadas 60 mortes de mulheres em contexto de feminicídio na cidade, número superior ao de 2024, quando 49 vítimas foram registradas no mesmo período.

Em posicionamento oficial, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo afirmou que o combate à violência contra a mulher segue como uma das prioridades do governo estadual. A pasta destacou a adoção de ações integradas que envolvem prevenção, proteção às vítimas e resposta policial mais rápida. Entre as iniciativas mencionadas está o uso de tecnologia no monitoramento de agressores denunciados por violência doméstica, com a aplicação de tornozeleiras eletrônicas, ferramenta que, segundo a SSP, coloca São Paulo como referência nacional nesse tipo de controle.

O ano também foi marcado por casos que ganharam grande repercussão pública. Um dos episódios mais emblemáticos foi o de Tainara Souza Santos, vítima de atropelamento intencional e arrastada por cerca de um quilômetro na Marginal Tietê, em novembro. Após permanecer internada por semanas e sofrer a amputação das duas pernas, ela não resistiu aos ferimentos, reacendendo o debate sobre a gravidade da violência de gênero no estado.

Em meio ao cenário preocupante dos assassinatos, os dados oficiais apontam uma leve redução nos registros de estupro. Em todo o estado, 14.443 casos foram contabilizados em 2025, número discretamente inferior ao do ano anterior, com queda de 0,9%. Na capital, a retração foi um pouco mais significativa: 2.934 ocorrências, frente a 3.012 em 2024, o que representa diminuição de 2,5%.

Apesar do recuo nos crimes sexuais, especialistas alertam que os números não diminuem a gravidade do cenário geral. Para eles, os recordes de feminicídio reforçam a necessidade de políticas públicas contínuas, fortalecimento das redes de proteção e ações preventivas capazes de interromper ciclos de violência antes que cheguem ao desfecho mais extremo.