Seca dos rios e falta de transporte levam indígenas no Pará a fazer vaquinhas para votar

Comunidades arrecadam dinheiro para custear viagens até as urnas. Justiça Federal determinou que a União garanta transporte e alimentação para o segundo turno.

Publicado em 23 de outubro de 2026 às 09:51

Comunidades arrecadam dinheiro para custear viagens até as urnas. Justiça Federal determinou que a União garanta transporte e alimentação para o segundo turno.
Comunidades arrecadam dinheiro para custear viagens até as urnas. Justiça Federal determinou que a União garanta transporte e alimentação para o segundo turno. Crédito: Reprodução

A seca dos rios e as longas distâncias até os locais de votação levaram comunidades indígenas no Pará a organizar vaquinhas para custear o deslocamento dos eleitores. Em algumas localidades, moradores recorrem a veículos particulares e dividem despesas com combustível para conseguir participar das eleições.

Na Terra Indígena Paquiçamba, em Altamira, no sudoeste do estado, a redução do nível dos rios comprometeu o transporte por embarcações. Segundo a liderança indígena Eliete Juruna, moradores com carros se organizaram para levar outros eleitores, mas algumas famílias não conseguiram votar no primeiro turno, realizado em 4 de outubro.

A situação também afeta outros povos. De acordo com Alcebias Constantino Sapará, coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), comunidades têm arrecadado recursos para custear viagens terrestres, fluviais e aéreas.

Entre os casos citados pelo Ministério Público Federal (MPF) estão os povos Araweté, na Terra Indígena Ipixuna, em Altamira, e Arara, na aldeia Iriri, na Terra Indígena Cachoeira Seca. As distâncias até os locais de votação chegam a aproximadamente 250 quilômetros e 380 quilômetros, respectivamente.

Justiça determina transporte gratuito

Na quinta-feira (22), a Justiça Federal determinou que a União adote medidas emergenciais para garantir o acesso dos eleitores indígenas às urnas no segundo turno, marcado para domingo (25).

A decisão estabelece prazo de 24 horas para a adoção das providências e prevê transporte gratuito por vias terrestre, fluvial ou aérea, conforme a necessidade de cada comunidade, além de alimentação para os eleitores que precisarem se deslocar.

A determinação também prevê apoio financeiro e logístico às prefeituras e a disponibilização de intérpretes e facilitadores culturais nos locais de votação, quando necessário. Em caso de descumprimento injustificado, foi fixada multa diária de R$ 1 milhão.

A medida atende a uma ação do MPF para assegurar a participação dos povos indígenas no processo eleitoral. Lideranças defendem que as soluções sejam permanentes, garantindo o acesso às urnas também nas próximas eleições.