Publicado em 28 de março de 2026 às 09:26
A Polícia Federal (PF) ampliou as investigações sobre o furto de amostras virais no Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada do Instituto de Biologia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Agora, além da professora Soledad Palameta Miller e de seu marido, Michael Edward Miller, uma aluna de mestrado ainda não identificada também é investigada por participação no extravio do material biológico.>
As amostras incluíam vírus Influenza A dos subtipos H1N1 e H3N2, causadores da gripe sazonal tipo A, além de outros vírus de origem humana e suína. O material desapareceu em 13 de fevereiro de 2026 e foi localizado cerca de 40 dias depois pela PF, dentro da própria universidade.>
Conforme a investigação da PF, Soledad Palameta Miller, professora doutora da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) desde agosto de 2025, não possuía acesso autorizado ao laboratório de alta contenção biológica (NB-3). Ela teria usado sua influência como docente e contado com a ajuda da aluna de mestrado para entrar no local e retirar as caixas com as amostras. O material foi transportado irregularmente para outros laboratórios da Unicamp, incluindo a FEA.>
Câmeras de segurança registraram o marido, o médico veterinário Michael Edward Miller, saindo do laboratório com caixas no fim de fevereiro. A PF o investiga por furto qualificado, suspeitando que ele teria auxiliado na retirada do material para entregá-lo à esposa.>
A professora foi presa em flagrante pela PF na segunda-feira (23), mas obteve liberdade provisória na terça-feira (24), após audiência de custódia. Ela responderá pelos crimes de furto, exposição da vida ou saúde de outrem a perigo e transporte sem autorização de material biologicamente modificado. A justiça impôs medidas cautelares, como proibição de sair do país sem autorização.>
Após o cumprimento de mandado de busca e apreensão em sua residência no sábado (21), Soledad Palameta Miller retornou à Unicamp e descartou parte das amostras de forma irregular dentro de um laboratório do Instituto de Biologia, segundo o delegado-chefe da PF, André Ribeiro.>
A Polícia Federal descarta risco de contaminação externa ou à população, pois todo o material permaneceu dentro da universidade e foi recuperado. As amostras foram encaminhadas ao Ministério da Agricultura e Pecuária para análise. A motivação do furto ainda é investigada, e a PF não descarta a formação de quadrilha.>
A Unicamp informou que colabora integralmente com as investigações da PF, da Anvisa e do Ministério da Agricultura, e instaurou sindicância interna para apurar responsabilidades. A instituição reforçou seu compromisso com a biossegurança e a integridade das pesquisas.>
Com informações do portal CNN e G1>