Sobre Anne Frank, frequentadora fala em vitimismo e Museu do Holocausto reage

Entidade defendeu o relato deixado pela adolescente judia e afirmou que narrar o sofrimento não significa transformá-lo em identidade

Publicado em 18 de setembro de 2026 às 08:18

Coleção de fotos de Anne Frank - 
Coleção de fotos de Anne Frank -  Crédito: Anne Frank Stichting, Amesterdão / fotógrafo desconhecido

Uma declaração feita durante a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo provocou críticas nas redes sociais após uma jovem classificar O Diário de Anne Frank como o pior livro que já havia lido e definir a adolescente como "vitimista". Diante da repercussão, o Museu do Holocausto se manifestou sobre a forma como o relato de Anne Frank tem sido interpretado.

Em uma publicação nas redes sociais, a instituição ressaltou que o diário precisa ser compreendido dentro do contexto em que foi escrito: por uma adolescente que vivia escondida e era perseguida pelo regime nazista durante a Segunda Guerra Mundial.

“Diante dos recentes questionamentos sobre a postura e a escrita de Anne Frank, é importante lembrar: seu diário é o registro de uma adolescente submetida à perseguição nazista. Narrar o sofrimento não significa fazer dele uma identidade”, afirmou o Museu do Holocausto.

Comentário ocorreu durante a Bienal

O episódio ganhou repercussão depois que um vídeo gravado durante a Bienal do Livro mostrou uma jovem sendo questionada sobre qual seria o pior livro que já havia lido.

Ao responder, ela citou O Diário de Anne Frank. Na sequência, ao ser perguntada sobre o motivo da escolha, afirmou ter considerado Anne Frank “vitimista”.

A declaração provocou reações nas redes sociais, com críticas à maneira como a jovem avaliou o relato deixado pela adolescente judia.

Quem foi Anne Frank

Anne Frank nasceu em 1929, na Alemanha, em uma família judia. Durante a perseguição promovida pelo regime nazista, ela e seus familiares passaram a viver escondidos em Amsterdã, na Holanda.

Foi nesse período que Anne escreveu o diário que posteriormente se tornou uma das obras mais conhecidas sobre a perseguição aos judeus durante o Holocausto.

Em 1944, Anne e os demais ocupantes do esconderijo foram capturados. Ela acabou enviada ao campo de concentração de Bergen-Belsen, na Alemanha.

Anne Frank morreu de tifo aos 15 anos, em fevereiro ou março de 1945, pouco antes da libertação do campo pelas tropas britânicas.

Seu diário foi publicado posteriormente e se tornou um importante registro em primeira pessoa sobre a experiência de uma adolescente judia durante a perseguição nazista.

Com informações do Pleno News