SPU apura rapidez em transferência de mansão disputada por Richarlison e Willer Tomaz em Angra

Órgão acionou a Polícia Federal e a CGU após emissão manual de certidão autorizar a transferência do imóvel para Willer em menos de duas horas em 2022

Publicado em 5 de novembro de 2026 às 18:22

Advogado Willer Tomaz e o jogador de futebol Richarlison.
Advogado Willer Tomaz e o jogador de futebol Richarlison. Crédito: Reprodução/Redes Sociais

A Secretaria do Patrimônio da União (SPU) identificou irregularidades e uma celeridade incomum na transferência de uma mansão na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ), que é centro de uma disputa de propriedade entre a empresa do jogador de futebol Richarlison e o advogado Willer Tomaz.

Segundo levantamento enviado à Polícia Federal, a empresa vendedora solicitou a Certidão de Autorização para Transferência (CAT) às 11h33 do dia 11 de julho de 2022, sendo atendida de forma manual pela própria SPU apenas 1 hora e 40 minutos depois, sob a justificativa de que o sistema apresentava falhas.

A secretaria questionou o embasamento da liberação, apontando que o documento foi emitido com base em uma decisão de reintegração de posse cujos autos não foram integralmente juntados ao processo administrativo do órgão.

Diante das inconsistências, a SPU encaminhou o material à Controladoria-Geral da União (CGU) e à Polícia Federal para avaliar a integridade dos procedimentos, além de acionar o Ibama para verificar denúncias de crimes ambientais na ilha. A apuração no órgão teve início após uma representação apresentada pelo deputado federal Rogério Correia (PT-MG).

Atualmente, a mansão encontra-se com bloqueio averbado no registro imobiliário por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em meio a investigações que miram Willer Tomaz por suspeita de lavagem de dinheiro ligada a negócios de apostas eletrônicas (bets).

A controvérsia teve início quando a Sport 70, empresa pertencente a Richarlison, comprou a posse do imóvel em 2020 por R$ 10 milhões de antigos moradores que viviam no local há décadas, protocolando o pedido de regularização na SPU em setembro de 2021.

Por sua vez, Willer Tomaz sustentou que os ocupantes originais não eram os proprietários formais e afirmou ter adquirido a mansão de uma empresa que já detinha o registro imobiliário, obtendo a autorização de transferência para a WT Administração em julho de 2022.

O jogador acusa o advogado e o senador Flávio Bolsonaro de atuarem para desapropriá-lo da área após ter recusado vender a casa ao parlamentar.