Publicado em 19 de agosto de 2026 às 18:52
O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Antonio Anastasia, suspendeu o bloqueio de mais de R$ 5 bilhões que devem ser utilizados para aliviar a conta de luz de 22 distribuidoras de energia elétrica, majoritariamente no Norte e Nordeste. No início da semana, ele havia adotado uma medida cautelar para travar esse recurso, após entender a necessidade de registro do montante no Orçamento Geral da União (OGU).>
Houve conversas com o Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO), Ministério de Minas e Energia (MME) e Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).>
O governo e a reguladora entendem que não há necessidade de recolhimento à Conta Única do Tesouro Nacional (CUTN), especialmente porque a previsão legal dá direcionamento específico ao recurso.>
Apesar de ter suspendido a cautelar, Anastasia disse que a avaliação do tema continuará. Ele trará voto sobre a questão em outra sessão pública.>
O valor bilionário é proveniente da repactuação de dívidas das geradoras hidrelétricas com a utilização de áreas públicas, encargo conhecido como Uso de Bem Público (UBP). Na semana passada, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) havia homologado o valor de R$ 5,484 bilhões para ser usado como redutor nas tarifas de energia elétricas de consumidores das 22 distribuidoras.>
Com isso, os consumidores na baixa tensão residenciais ficaram com efeito médio limitado, aproximadamente, em 6,53%. Ou seja, um porcentual significativamente menor em relação às estimativas iniciais, que em alguns casos passavam de 10% ou mesmo 20%. Sem o recurso para aliviar a conta de luz, nos Estados contemplados, haveriam reajustes ou revisões elevadas, com repercussão no índice inflacionário.>
Foi a Lei nº 15.235/2025 que abriu a possibilidade de as geradoras quitarem o montante anual do UBP à vista, com desconto de 50%. Também foi previsto que o pagamento adiantado pelas geradoras seria revertido em desconto para os consumidores cativos de energia nas áreas da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). Além de todas as distribuidoras das regiões Norte e Nordeste, a medida abarca o Mato Grosso e partes de Minas Gerais e do Espírito Santo.>
Em junho, representantes de diversas empresas estiveram na sede da Aneel para assinar aditivos aos respectivos contratos de concessão. Pelo balanço apresentado, 29 usinas tiveram repactuação e 22 empresas aderiram. A diretoria da reguladora já havia decidido fazer uma distribuição que busca equilibrar os balanços de custos das distribuidoras. Ou seja, com cada concessionária recebendo uma parte proporcional do recurso.>