Tecnologia usada por peritos da PF em Brasília causa apreensão entre políticos e empresários

O mecanismo é capaz de acessar todo o conteúdo de celulares apreendidos, mesmo desligados ou com senha.

Publicado em 23 de janeiro de 2026 às 20:19

Celular bloqueado por senha.
Celular bloqueado por senha. Crédito: Reprodução/ Buscapé / Shutterstock

Uma tecnologia utilizada pela Polícia Federal em Brasília está gerando um clima de apreensão entre figuras influentes do mundo político e empresarial, suspeitas de envolvimento nas operações deflagradas pela PF recentemente.

A tecnologia em questão é capaz de acessar todo o conteúdo de celulares apreendidos, mesmo quando os aparelhos estão desligados e protegidos por senha. Diferentemente de outras forças policiais, a PF vai além do simples desbloqueio de tela.

Um reportagem do Blog da Julia Duailibi, no G1, detalhou o funcionamento da tecnologia. Com ela a perícia consegue extrair dados completos do aparelho sem conexão a redes móveis ou Wi-Fi, o que impede o apagamento remoto de informações e amplia o alcance das investigações.

O procedimento adotado pelos peritos se baseia no isolamento total do aparelho apreendido. Para isso, a PF utiliza o conceito físico da “gaiola de Faraday”, estrutura metálica (como caixas ou bolsas especiais) capaz de bloquear a entrada e a saída de ondas eletromagnéticas. Na prática, isso mantém o celular totalmente isolado.

A tecnologia da PF não permite meio-termo: ou os dados são extraídos integralmente ou não há acesso algum, e por isso, os peritos copiam todo o conteúdo do dispositivo (conversas, fotos, e-mails) para análise posterior, mesmo que não tenham relação direta com o caso investigado, e esse é ponto que provoca temor entre políticos e empresários.

Estão nas mãos da Justiça celulares de nomes com forte trânsito em Brasília, como Daniel Vorcaro, do Banco Master, e o investidor Nelson Tanure.