Trend dos anos 80 com ChatGPT viraliza, mas expõe riscos à privacidade; saiba como se proteger

Envio de selfies para criar retratos retrô pode expor dados pessoais e biométricos; veja como ajustar as configurações e reduzir os riscos.

Publicado em 12 de outubro de 2026 às 14:25

Envio de selfies para criar retratos retrô pode expor dados pessoais e biométricos
Envio de selfies para criar retratos retrô pode expor dados pessoais e biométricos Crédito: Reprodução/Internet

Cabelos volumosos, roupas extravagantes e cores vibrantes inspiradas nos anos 80 voltaram a ganhar espaço nas redes sociais. A nova trend, que transforma selfies em retratos com aparência retrô por meio da inteligência artificial, conquistou usuários pela facilidade de criar imagens realistas. Por trás da brincadeira, porém, especialistas alertam para os cuidados necessários ao compartilhar fotografias com ferramentas digitais.

Para participar, basta enviar uma foto ao ChatGPT e escrever um comando, chamado de prompt, descrevendo o visual desejado. Em poucos instantes, a ferramenta gera uma versão estilizada da imagem, pronta para ser publicada nas redes sociais. O que muitos usuários podem não considerar é como a fotografia e os demais dados enviados são tratados pela plataforma.

O que uma selfie pode revelar?

Uma fotografia do rosto pode fornecer informações que vão além da aparência. Dependendo do arquivo, ela pode conter metadados, como data, horário e localização, além de características biométricas que ajudam a identificar uma pessoa.

Diferentemente de uma senha, que pode ser alterada após um vazamento, os traços faciais são difíceis de modificar. Por isso, o compartilhamento de imagens exige atenção, principalmente quando elas são combinadas com outros dados pessoais.

Informações fornecidas em conversas com sistemas de inteligência artificial, como hábitos, profissão, interesses e aspectos da vida privada, também podem ampliar o volume de dados associados a um usuário. Quando reunidos, esses elementos podem contribuir para a criação de perfis mais detalhados sobre seus comportamentos e preferências.

As fotos são usadas para treinar a IA?

O destino das imagens depende das regras de cada serviço e das configurações escolhidas pelo usuário. Não é possível afirmar que toda foto enviada será utilizada no treinamento de modelos, mas também não se deve presumir que o arquivo será descartado assim que a imagem ficar pronta.

No ChatGPT, usuários de contas pessoais podem acessar os controles de dados e desativar a opção “Melhorar o modelo para todos”. Com essa configuração, as novas conversas não são utilizadas para aprimorar os modelos da OpenAI, conforme as condições do serviço.

Outra opção é o Chat Temporário, que não aparece no histórico de conversas, não cria memórias para personalização e não é utilizado para treinamento. Ainda assim, a OpenAI informa que pode manter uma cópia dessas conversas por até 30 dias para fins de segurança.

É importante destacar que impedir o uso do conteúdo para treinamento não significa bloquear todas as formas de armazenamento e processamento. Por isso, vale consultar as configurações de privacidade e as políticas da plataforma antes de enviar fotografias ou informações pessoais.

Alguns cuidados ajudam a reduzir a exposição de dados durante o uso de ferramentas de inteligência artificial:

- Evite compartilhar imagens de crianças: fotografias de menores exigem atenção redobrada, especialmente quando podem circular fora do ambiente em que foram publicadas originalmente.

- Retire informações sensíveis do enquadramento: documentos, crachás, placas e detalhes que revelem endereços ou hábitos podem expor dados desnecessários.

- Confira as configurações de privacidade: verifique como a plataforma utiliza as conversas e quais opções estão disponíveis para controlar o treinamento e a memória.

- Desconfie de aplicativos desconhecidos: antes de enviar uma selfie, confira quem desenvolveu a ferramenta, quais permissões ela solicita e como os dados são tratados.

- Compartilhe apenas o necessário: evite incluir informações sobre sua identidade, localização e vida pessoal nos comandos enviados à IA.

- Gerencie o conteúdo enviado: utilize os recursos de exclusão disponíveis e consulte as regras de retenção de dados do serviço.

A inteligência artificial tornou a criação de imagens personalizadas mais simples e acessível, o que ajuda a explicar a rápida popularização de tendências como a dos retratos inspirados nos anos 80. Mesmo assim, a facilidade de produzir uma foto diferente não elimina os cuidados necessários com os arquivos compartilhados.

Antes de entrar na brincadeira, o usuário deve avaliar quais informações está disposto a fornecer e conhecer as opções de privacidade disponíveis. Com alguns ajustes e atenção ao conteúdo enviado, é possível aproveitar os recursos da tecnologia sem expor dados pessoais além do necessário.