Virginia induziu público a aposta improvável em jogo de Cabo Verde, diz MP

Ministério Público pede indenização de R$ 120 milhões à influenciadora e à plataforma Blaze por suposto esquema na Copa do Mundo de 2026.

Publicado em 10 de julho de 2026 às 12:13

Virginia induziu público a aposta improvável em jogo de Cabo Verde, diz MP
Virginia induziu público a aposta improvável em jogo de Cabo Verde, diz MP Crédito: Reprodução

A influenciadora Virginia Fonseca e a plataforma de apostas Blaze entraram na mira da Justiça por causa de uma estratégia de marketing agressiva e oculta durante a Copa do Mundo de 2026. O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) acionou a dupla judicialmente, acusando a famosa de usar o apelo emocional para empurrar seus mais de 56 milhões de seguidores em direção a um palpite altamente arriscado e sem chances reais de vitória, tudo isso sem deixar claro que se tratava de uma propaganda paga.

O estopim do caso aconteceu na partida entre Argentina e Cabo Verde. Na ocasião, Virginia gravou vídeos se dizendo muito esperançosa em uma vitória da seleção africana, motivando seu público a apostar no time de fora. No entanto, o favoritismo técnico era todo dos argentinos, que venceram o confronto por 3 a 2. Quem seguiu o conselho da influenciadora perdeu todo o dinheiro investido. A investigação aponta que, por trás dos panos, a famosa tinha direito a receber uma comissão de 30% justamente sobre o valor que seus seguidores perdiam na plataforma.

Para o Ministério Público, o episódio faz parte de uma engrenagem desenhada para inflar o volume de apostas de forma impulsiva, explorando o entusiasmo dos torcedores durante o torneio mundial. A ação destaca que as empresas de apostas costumam contratar celebridades queridas pelo público para mascarar os riscos reais e vender uma ilusão de enriquecimento fácil.

A denúncia contra a Blaze ganhou força após um levantamento técnico reunir mais de 42 mil reclamações de usuários que relataram contas bloqueadas, retenção de dinheiro e enorme dor de cabeça para conseguir sacar os saldos da plataforma.

Diante do tamanho do impacto financeiro causado aos consumidores, o órgão pede que a Justiça penalize a Blaze e a influenciadora de forma conjunta em R$ 120 milhões por danos morais coletivos, valor calculado a partir do faturamento bruto anual estimado da empresa. O processo também exige o fim imediato de todas as peças publicitárias consideradas enganosas ou que desrespeitem as regras de proteção ao consumidor.

Do outro lado, as defesas já começaram a se movimentar. A Foggo Entertainment, empresa que gerencia a marca Blaze no território brasileiro, informou em nota que ainda não recebeu nenhuma notificação oficial sobre o processo conduzido pelo MPDFT. A companhia declarou que atua dentro das leis vigentes e reforçou que suas operações são guiadas por regras de transparência e diretrizes de jogo responsável.

Já a equipe jurídica de Virginia Fonseca esclareceu que tomou conhecimento do caso por meio dos veículos de imprensa e que vai apresentar as respostas técnicas diretamente no processo. Os advogados criticaram a pressa do Ministério Público em abrir a ação antes mesmo de concluir a análise de contratos e documentos fundamentais.

A defesa negou qualquer tipo de combinação prévia para prejudicar os internautas e afirmou que as acusações do órgão são baseadas apenas em suposições pelo fato de Virginia ser uma figura pública bastante conhecida.