Vorcaro integra quadro societário do BRB por meio de holding em paraíso fiscal

Documentos enviados ao Banco Central revelam que Daniel Vorcaro adquiriu ações do Banco de Brasília meses antes de a tentativa de compra do Master ser barrada.

Publicado em 5 de fevereiro de 2026 às 11:51

Vorcaro integra quadro societário do BRB por meio de holding em paraíso fiscal
Vorcaro integra quadro societário do BRB por meio de holding em paraíso fiscal Crédito: Reprodução

O empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, tornou-se acionista do Banco de Brasília (BRB) a partir de uma operação societária realizada por intermédio de uma holding sediada nas Ilhas Cayman, território conhecido por sua legislação fiscal flexível. A movimentação foi formalizada em abril de 2025 e comunicada oficialmente ao Banco Central, segundo documentos institucionais do próprio BRB.

A participação foi viabilizada por meio da Titan Capital, empresa de propriedade de Vorcaro registrada em Camana Bay. Diferentemente de uma aquisição direta junto ao banco brasiliense, a holding comprou os papéis de um fundo de investimentos administrado pelo próprio grupo Master, em uma transação privada celebrada no início do segundo trimestre do ano.

Conforme a comunicação encaminhada ao regulador, a operação envolveu a transferência de mais de 22 milhões de ações, entre ordinárias e preferenciais, ao custo aproximado de R$ 194 milhões. O pagamento, ainda segundo o documento, foi feito com recursos próprios da Titan Capital, complementados por uma operação de crédito contratada com uma empresa estrangeira do setor financeiro.

O mesmo expediente enviado ao Banco Central detalhou, pela primeira vez, a identificação dos beneficiários finais de participações adquiridas por fundos que ingressaram no capital do BRB em 2024, após um processo de aumento de capital. Entre os nomes citados estão empresários que também figuram como investigados na Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, que apura irregularidades no sistema financeiro.

A reconfiguração do quadro acionário ocorreu em um momento sensível para o BRB. Pouco antes da consolidação dessas transações, o banco anunciou publicamente a intenção de adquirir o Banco Master, operação que acabou vetada pelo Banco Central cerca de seis meses depois, após análise técnica do órgão regulador.

No mesmo período, o BRB promoveu sucessivas alterações em sua estrutura de capital. Em dezembro de 2024, o Conselho de Administração aprovou um aumento que elevou o capital social da instituição para R$ 2,3 bilhões, medida posteriormente autorizada pelo Banco Central. Meses antes, outra emissão de ações já havia sido realizada com o mesmo objetivo.

A defesa de Daniel Vorcaro sustenta que sua condição de acionista do BRB afasta qualquer interesse em práticas que pudessem causar prejuízo à instituição, argumento que deve ser levado às autoridades responsáveis pelas investigações em curso. Segundo essa tese, não haveria racionalidade econômica em prejudicar um banco do qual o próprio empresário passou a fazer parte.

Na última semana, a Polícia Federal instaurou um novo inquérito para apurar possíveis manobras societárias relacionadas ao BRB, especialmente no contexto da tentativa frustrada de aquisição do Banco Master. As apurações seguem sob sigilo.

Procurado, o Banco de Brasília informou que compartilhou achados relevantes com os órgãos competentes e destacou que parte das informações permanece protegida para preservar eventuais medidas de ressarcimento. O Banco Central foi acionado para comentar o caso e ainda não se manifestou.