Zema pede prisão de Moraes após revelação sobre contrato de R$ 131 milhões

No tribunal, André Mendonça já mapeia votos para abrir investigação

Publicado em 1 de setembro de 2026 às 16:27

Ex-governador de Minas Gerais e candidato à Presidência da República pelo partido Novo, Romeu Zema.
Ex-governador de Minas Gerais e candidato à Presidência da República pelo partido Novo, Romeu Zema. Crédito: Gabriel Pinheiro/CNI

O ex-governador de Minas Gerais e candidato à Presidência da República pelo partido Novo, Romeu Zema, utilizou suas redes sociais nesta terça-feira (1) para defender o impeachment e a prisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, a quem chamou de "projetinho de ditador".

A manifestação do político foi motivada pela revelação de que o magistrado editou o contrato de R$ 131 milhõesfirmado entre o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, os metadados do arquivo em formato digital, enviado via WhatsApp para o empresário, indicam que as alterações no documento foram feitas por um usuário identificado no sistema como "Ministro Alexandre de Moraes".

Em sua postagem, Zema relembrou sua atuação passada contra o integrante do Judiciário. "É por isso que ainda como governador de Minas protocolei o pedido de impeachment do Alexandre de Moraes. Impeachment é pouco. Ele merece é cadeia. Chega de intocável enriquecendo às custas do povo. Prisão pra ele e que devolva todo o dinheiro".

A relação entre o ex-governador mineiro e os magistrados da Suprema Corte é marcada por embates anteriores. Em abril de 2026, o ministro Gilmar Mendes solicitou formalmente a inclusão de Zema no inquérito das fake news. O pedido ocorreu depois que o político publicou um vídeo simulando um diálogo humorístico, com o uso de fantoches, entre Gilmar e o ministro Dias Toffoli a respeito do escândalo do Banco Master. À época, Zema criticou a iniciativa jurídica, definindo-a como "antidemocrática" e recebendo a notícia com "surpresa e decepção".

Procurado, o escritório de Viviane Barci de Moraes divulgou uma nota de esclarecimento explicando o ocorrido. De acordo com a banca, o seu setor de compliance entrou em contato com Alexandre de Moraes, na qualidade de marido da sócia-diretora, para solicitar que ele fizesse uma checagem de eventuais impedimentos legais para a prestação dos serviços à holding de Vorcaro, buscando certificar-se de que não existiam processos do interesse do cliente que estivessem sob sua relatoria ou julgamento no STF.

A nota acrescenta que, após o ministro avaliar a minuta contratual e constatar que não havia óbices, o contrato foi assinado e os serviços foram executados, uma vez que o magistrado jamais atuou em julgamentos referentes ao Banco Master.

Apesar dos esclarecimentos, as revelações provocaram movimentações significativas nos bastidores do STF. O relator do Caso Master na Corte, ministro André Mendonça, classificou as informações recentes como graves. Pairam também suspeitas de que Alexandre de Moraes teria intercedido perante o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para solicitar proteção ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Por conta disso, Mendonça analisa apresentar uma representação formal ao presidente da Corte, Edson Fachin, demandando a abertura de uma investigação contra Moraes. Como o procedimento depende do aval do plenário do STF, aliados de Mendonça já realizam uma apuração preliminar do cenário de votação.

De acordo com as projeções internas, Moraes contaria com três votos contrários à investigação: Cristiano Zanin, Flávio Dino e Gilmar Mendes. Por outro lado, Mendonça teria o apoio de Edson Fachin, Nunes Marques e Luiz Fux, além do provável voto favorável da ministra Cármen Lúcia. Há incerteza se o ministro Dias Toffoli participará da sessão devido a possíveis alegações de suspeição ligadas a negócios comerciais com Vorcaro, mas os aliados estimam que, caso ele participe, Toffoli se posicionará a favor da investigação de Moraes.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Ana Cássia Sousa.