Publicado em 1 de setembro de 2026 às 16:27
O ex-governador de Minas Gerais e candidato à Presidência da República pelo partido Novo, Romeu Zema, utilizou suas redes sociais nesta terça-feira (1) para defender o impeachment e a prisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, a quem chamou de "projetinho de ditador".>
A manifestação do político foi motivada pela revelação de que o magistrado editou o contrato de R$ 131 milhõesfirmado entre o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, os metadados do arquivo em formato digital, enviado via WhatsApp para o empresário, indicam que as alterações no documento foram feitas por um usuário identificado no sistema como "Ministro Alexandre de Moraes".>
Em sua postagem, Zema relembrou sua atuação passada contra o integrante do Judiciário. "É por isso que ainda como governador de Minas protocolei o pedido de impeachment do Alexandre de Moraes. Impeachment é pouco. Ele merece é cadeia. Chega de intocável enriquecendo às custas do povo. Prisão pra ele e que devolva todo o dinheiro".>
A relação entre o ex-governador mineiro e os magistrados da Suprema Corte é marcada por embates anteriores. Em abril de 2026, o ministro Gilmar Mendes solicitou formalmente a inclusão de Zema no inquérito das fake news. O pedido ocorreu depois que o político publicou um vídeo simulando um diálogo humorístico, com o uso de fantoches, entre Gilmar e o ministro Dias Toffoli a respeito do escândalo do Banco Master. À época, Zema criticou a iniciativa jurídica, definindo-a como "antidemocrática" e recebendo a notícia com "surpresa e decepção".>
Procurado, o escritório de Viviane Barci de Moraes divulgou uma nota de esclarecimento explicando o ocorrido. De acordo com a banca, o seu setor de compliance entrou em contato com Alexandre de Moraes, na qualidade de marido da sócia-diretora, para solicitar que ele fizesse uma checagem de eventuais impedimentos legais para a prestação dos serviços à holding de Vorcaro, buscando certificar-se de que não existiam processos do interesse do cliente que estivessem sob sua relatoria ou julgamento no STF.>
A nota acrescenta que, após o ministro avaliar a minuta contratual e constatar que não havia óbices, o contrato foi assinado e os serviços foram executados, uma vez que o magistrado jamais atuou em julgamentos referentes ao Banco Master.>
Apesar dos esclarecimentos, as revelações provocaram movimentações significativas nos bastidores do STF. O relator do Caso Master na Corte, ministro André Mendonça, classificou as informações recentes como graves. Pairam também suspeitas de que Alexandre de Moraes teria intercedido perante o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para solicitar proteção ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.>
Por conta disso, Mendonça analisa apresentar uma representação formal ao presidente da Corte, Edson Fachin, demandando a abertura de uma investigação contra Moraes. Como o procedimento depende do aval do plenário do STF, aliados de Mendonça já realizam uma apuração preliminar do cenário de votação.>
De acordo com as projeções internas, Moraes contaria com três votos contrários à investigação: Cristiano Zanin, Flávio Dino e Gilmar Mendes. Por outro lado, Mendonça teria o apoio de Edson Fachin, Nunes Marques e Luiz Fux, além do provável voto favorável da ministra Cármen Lúcia. Há incerteza se o ministro Dias Toffoli participará da sessão devido a possíveis alegações de suspeição ligadas a negócios comerciais com Vorcaro, mas os aliados estimam que, caso ele participe, Toffoli se posicionará a favor da investigação de Moraes.>
Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Ana Cássia Sousa.>