Zoo clandestino interditado diz que tratava animais com "carinho"

Ibama resgatou 655 animais mantidos de forma irregular em Santa Catarina e aponta condições precárias

Publicado em 11 de julho de 2026 às 12:35

Zoo clandestino interditado diz que tratava animais com "carinho"
Zoo clandestino interditado diz que tratava animais com "carinho" Crédito: Ibama 

Após a interdição do zoológico clandestino em São Carlos, no oeste de Santa Catarina, os responsáveis pelo estabelecimento rebateram as acusações de maus-tratos feitas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Em publicação nas redes sociais, os proprietários afirmaram que os animais eram tratados com “carinho”, negaram qualquer tipo de negligência e disseram que o espaço está sendo julgado por meio de imagens que, segundo eles, não retratam a realidade do local.

Nas redes sociais, os donos do zoológico alegaram que visitantes acompanharam, ao longo dos anos, os cuidados prestados aos animais e defenderam que o trabalho realizado sempre foi pautado pela dedicação e atenção aos espécimes.

“Quem nos visitou sabe do carinho, da dedicação e do vínculo que construímos diariamente com cada animal. Foram anos de cuidados, alimentação, limpeza, atenção e muito amor, compartilhados com milhares de visitantes que acompanharam esse trabalho de perto”, destacaram.

Dias antes, o estabelecimento havia anunciado o encerramento das atividades após a retirada dos 655 animais durante a operação do Ibama. Em nota, os responsáveis afirmaram que os animais faziam parte da história da família e destacaram os anos de trabalho dedicados ao espaço.

O Ibama, por outro lado, informou que a fiscalização encontrou diversas irregularidades. Segundo o órgão, aves, animais silvestres, espécies exóticas e animais domésticos eram mantidos de forma irregular e em condições consideradas precárias.

Durante a operação, os fiscais também identificaram indícios de documentação e notas fiscais supostamente fraudulentas relacionadas à manutenção dos animais.

Ainda de acordo com o instituto, o responsável possuía apenas cadastro no Sistema de Controle e Monitoramento da Atividade de Criação Amadora de Pássaros (SisPass), autorização destinada exclusivamente à criação amadora de aves. O registro não autoriza a manutenção de animais de grande porte nem o funcionamento de um zoológico aberto à visitação pública.

Os animais resgatados foram encaminhados para instituições habilitadas, onde receberão atendimento veterinário e passarão pelos procedimentos previstos na legislação ambiental.