Publicado em 11 de julho de 2026 às 11:57
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o uso do medicamento Lampit (nifurtimox) para o tratamento da doença de Chagas em crianças e adolescentes de até 17 anos. A aprovação também poderá ser usada em recém-nascidos com peso igual ou superior a 2,5kg, ampliando as alternativas disponíveis para enfrentar a infecção causada pelo parasita Trypanosoma cruzi.
>
A decisão é considerada um importante reforço no combate à doença, que segue sendo um problema de saúde pública em diversas regiões do país. No Pará, a preocupação ganhou força neste ano após o registro de um surto da forma aguda da doença, com maior concentração de casos no município de Ananindeua.>
Dados da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) apontam que, entre janeiro e março, foram confirmados 52 casos da doença de Chagas no estado, além de cinco mortes. No Pará, a transmissão costuma estar associada principalmente ao consumo de alimentos contaminados, especialmente o açaí, quando há falhas durante o processamento e a manipulação do produto.>
Segundo a Anvisa, o Lampit é um medicamento antiparasitário que atua diretamente contra o Trypanosoma cruzi. O princípio ativo provoca alterações que comprometem a sobrevivência do parasita, favorecendo sua eliminação pelo organismo.>
O Ministério da Saúde destaca que a doença de Chagas pode ser transmitida de diferentes formas, como pelo contato com fezes do inseto barbeiro infectado, ingestão de alimentos contaminados, transfusões de sangue, transplantes de órgãos e também da mãe para o bebê durante a gestação ou no momento do parto.>
A infecção apresenta duas fases. Na fase aguda, que ocorre logo após o contágio, os sintomas podem ser leves ou até inexistentes. Já a fase crônica pode se manifestar anos depois e, mesmo em pacientes sem sintomas aparentes, evoluir para complicações graves, especialmente no coração e no sistema digestivo.>
Com a aprovação do novo medicamento para o público infantil, especialistas esperam ampliar o acesso ao tratamento precoce e reduzir os riscos de agravamento da doença, principalmente entre crianças diagnosticadas nos primeiros meses de vida.>