Após transferência de indígenas, Prefeitura de Belém deixa cães abandonados em abrigo no Tapanã

Dezenas de cães foram abandonados no antigo espaço de acolhimento, no bairro do Tapanã

Publicado em 18 de agosto de 2026 às 11:40

Dezenas de cães foram abandonados no antigo espaço de acolhimento, no bairro do Tapanã
Dezenas de cães foram abandonados no antigo espaço de acolhimento, no bairro do Tapanã Crédito: Reprodução 

A transferência de famílias indígenas Warao para um novo abrigo em Outeiro, realizada pela Prefeitura de Belém após determinação judicial, deixou para trás um problema que agora recai sobre voluntários e protetores de animais: dezenas de cães foram abandonados no antigo espaço de acolhimento, no bairro do Tapanã.

Sem acesso regular à água, alimentação e cuidados veterinários, os animais passaram a vagar pelas ruas da região em busca de comida, revirando sacos de lixo para sobreviver. Segundo relatos de protetores, cerca de 30 cães permanecem no local, enfrentando situações de fome, doenças e abandono.

A justificativa apresentada pela Prefeitura é de que o novo abrigo não possui estrutura para receber animais domésticos. No entanto, a decisão tem sido alvo de críticas de defensores da causa animal, que questionam a falta de planejamento do poder público para garantir o destino dos cães que conviviam há anos com as famílias refugiadas.

Voluntários atuavam no local há cerca de três anos e chegaram a cuidar de mais de 100 animais. Em março deste ano, ainda havia aproximadamente 50 cães na área. Atualmente, o número caiu para menos de 40, consequência de um surto de cinomose e parvovirose registrado nos últimos meses.

A situação é acompanhada pela Comissão de Defesa dos Direitos dos Animais (CDDA) da OAB Pará, que desde março alerta para o agravamento da crise sanitária no abrigo. Protetores afirmam que enfrentam dificuldades para acessar a área e dar continuidade ao tratamento dos animais que permaneceram no local.

A mudança das famílias Warao ocorreu em junho, após anos de impasse e sucessivos descumprimentos de prazos por parte dos entes públicos. A transferência só foi efetivada depois que a Justiça Federal aplicou multas de R$ 1 milhão à Prefeitura de Belém e de R$ 1 milhão ao Governo do Pará. Agora, enquanto a questão habitacional avança, os animais que faziam parte da rotina dessas famílias seguem sem solução definitiva e à espera de uma resposta do poder público.