Belém combate avanço da dengue em meio a recordes de calor provocado pelo El Niño

Com 1.261 casos de dengue confirmados neste ano, capital intensifica fiscalizações e amplia postos de imunização para frear o avanço da doença.

Publicado em 27 de outubro de 2026 às 07:51

Belém combate avanço da dengue em meio a recordes de calor provocado pelo El Niño
Belém combate avanço da dengue em meio a recordes de calor provocado pelo El Niño Crédito: Reprodução/Ascom Sesma

O termômetro dispara, o sol castiga e, para quem vive em Belém, o calor intenso deixou de ser apenas um incômodo climático para virar um problema de saúde pública. Impulsionado pelos reflexos do El Niño que mexe com o regime de chuvas e eleva ainda mais as temperaturas, o cenário atual na capital paraense virou o ambiente perfeito para a proliferação rápida do Aedes aegypti, o mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya.

O motivo é simples e biológico: quanto mais quente está o dia, mais rápido o mosquito se desenvolve. Se a esse calor somarmos um pequeno recipiente com água parada seja no prato da planta, na calha entupida ou em um copo esquecido no quintal, temos o cenário ideal para uma verdadeira explosão de novos vetores.

Os dados da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) mostram que o perigo é real. De janeiro a setembro de 2026, a cidade contabilizou 2.765 notificações de dengue, resultando em 1.261 confirmações da doença. No mesmo período de 2025, foram 2.771 notificações e 950 confirmações. Os números provam que o combate não pode tirar férias.

Para tentar conter o avanço do vetor, a Prefeitura aposta em estratégias tecnológicas e de campo. Shirley Santos, chefe da Divisão de Controle de Endemias da Sesma, explica que o planejamento das equipes não é aleatório: ele utiliza dados do LIRAa e o monitoramento por ovitrampas para mapear os bairros mais críticos.

Nas ruas, os Agentes de Combate às Endemias (ACEs) fazem visitas domiciliares, orientam moradores, aplicam bloqueios de transmissão e utilizam até as chamadas Estações Disseminadoras de Larvicidas (EDLs) um sistema engenhoso em que o próprio mosquito carrega o produto para eliminar as larvas em outros criadouros.

Porém, nenhuma tecnologia substitui a atitude dentro de casa. Pequenos hábitos diários ajudam a fechar as portas para o mosquito:

Vede bem caixas-d’água e qualquer reservatório de armazenamento;

Elimine pratos de vasos, garrafas e plásticos que possam acumular água da chuva;

Faça uma varredura semanal no quintal para recolher lixos e entulhos;

Limpe calhas, ralos e bandejas de geladeiras e aparelhos de ar-condicionado;

Abra a porta para os agentes de saúde devidamente identificados.

Serviço

Onde tomar a vacina e como acionar a Prefeitura

CSE Marco (UEPA): Av. Rômulo Maiorana, 2558 (Manhã e tarde, de segunda a sexta)

UMS de Fátima (APS): Rua Domingos Marreiros, 1816 (Segunda a sexta, das 8h às 12h e das 13h às 17h)

Hospitais das Forças Armadas: Naval, Aeronáutica e Exército contam com dias e horários específicos de atendimento (consulte a unidade mais próxima)

Centros de Referência e Faculdades: Uremia, Unama (Alcindo Cacela), Unifamaz, Fibra e IASB também oferecem doses durante a semana

As Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de Belém e distritos seguem aplicando a vacina conforme o expediente local.

Achou algum foco do mosquito ou quer tirar dúvidas? A Sesma atende pelo Disque Endemias no telefone (91) 98402-0894.