Publicado em 27 de abril de 2026 às 14:33
Belém foi reconhecida como um dos principais destinos gastronômicos do mundo após entrar na lista da publicação internacional Lonely Planet. A capital paraense é a única cidade brasileira no ranking, que destaca sabores autênticos, ingredientes regionais e a forte presença da herança indígena na culinária amazônica.>
A escolha reforça o papel da cidade como referência quando o assunto é gastronomia ligada ao território. Ingredientes como tucupi, jambu e açaí, além de preparos tradicionais, colocam a culinária paraense em evidência no cenário internacional.>
Para quem vive a cozinha no dia a dia, o reconhecimento representa a valorização de um trabalho construído ao longo de gerações.>
“A gente cozinha pela nossa história”, diz Ronaldo Oliveira>
Com mais de 15 anos de atuação na gastronomia e à frente da Amazônica Artesanal, o chef Ronaldo Oliveira vê o reconhecimento como resultado direto da identidade da culinária paraense.>
“Aqui na nossa cidade, o diferencial é que a gente não cozinha para tentar seguir tendências. Nós cozinhamos pela nossa história, pela nossa cultura e pelo território.”>
Para ele, a essência da gastronomia local está no respeito às origens.>
“O nosso trabalho é feito com o que é nosso, tanto em saber quanto em técnicas, sem deixar de lado o respeito ao conhecimento de quem veio antes.”>
Os ingredientes regionais também são parte fundamental dessa construção.>
“O tucupi traz profundidade de sabor, o jambu proporciona uma experiência sensorial única e o açaí, para nós, é alimento do dia a dia capaz de nos fortalecer.”>
Sobre o impacto do reconhecimento, o chef destaca que ele reforça o caminho que já vinha sendo seguido.>
“Eu gosto de enxergar o reconhecimento como um sensor que confirma quando estamos seguindo o caminho correto.”>
Mesmo com o destaque internacional, ele lembra que ainda existem desafios importantes no setor.>
“Os desafios são inerentes ao setor, principalmente quando se trata da complexidade logística da região amazônica relacionada aos produtos frescos, outro ponto importante são os custos elevados acompanhados de limitações estruturais.”>
Tradição familiar e identidade marcam a visão de Ed Carlos Santana Tenório>
O reconhecimento internacional também dialoga com histórias que atravessam gerações na culinária paraense. É o caso do chef Ed Carlos Santana Tenório, conhecido como Mestre Kiko, que vem de uma família com mais de 150 anos de tradição na cozinha amazônica.>
Para ele, a força da gastronomia local está na sua singularidade.>
“A gastronomia paraense é singular, exótica e palatável, utiliza ingredientes que podem ser harmonizados facilmente, como frutas, mariscos, tubérculos e pescados.”>
Os elementos tradicionais seguem como base da identidade regional.>
“Esses são alguns dos ingredientes que nos tornam singulares e nos identificam como amazônicos.”>
Na prática, pratos tradicionais já carregam o potencial de representar a cultura local.>
“As receitas como tacacá, pato no tucupi e maniçoba são ancestrais, por isso já são consideradas patrimônios culturais do estado.”>
O reconhecimento internacional, segundo ele, amplia a visibilidade, mas ainda exige avanços estruturais.>
“Dá mais visibilidade, com certeza. Falta agora o poder público capacitar os fazedores de cultura e oferecer linha de crédito para ampliar e melhorar seu negócio, gerando emprego e renda local.”>
Entre os desafios, ele destaca a necessidade de organização do setor.>
“Legalização dos espaços e padronização dos espaços públicos e linha de crédito.”>
O reconhecimento internacional consolida Belém como referência gastronômica e reforça a força de uma culinária construída a partir da tradição, dos ingredientes e da identidade amazônica.>