Belém registra primeira queda nos casos de HIV/Aids após quatro anos

Capital paraense registra queda inédita e autoridades atribuem resultado ao reforço das ações de prevenção e testagem.

Publicado em 17 de janeiro de 2026 às 20:20

 - Atualizado há uma hora

Belém interrompe sequência de alta e reduz número de diagnósticos de HIV/Aids
Belém interrompe sequência de alta e reduz número de diagnósticos de HIV/Aids Crédito: Reprodução/Freepik

Belém apresentou, em 2025, a primeira redução no número de novos casos de HIV/Aids após quatro anos consecutivos sem queda nos registros. Dados do Ministério da Saúde mostram que a capital passou de uma média anual de 1.803 casos, mantida entre 2023 e 2024, para 1.671 notificações no último ano, o que representa 132 ocorrências a menos.

A mudança no cenário é associada à intensificação das estratégias de prevenção e cuidado promovidas pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesma). Desde o início de 2024, a pasta ampliou a atuação da CASA DIA – Centro de Atenção em Doenças Infecciosas Adquiridas, com ações em bairros, espaços públicos e atendimentos direcionados a populações mais vulneráveis.

Ao longo de 2025, mais de cinco mil pessoas foram alcançadas por serviços como testagem rápida, distribuição de preservativos e géis lubrificantes, além do acesso gratuito à Profilaxia Pós-Exposição (PEP) e à Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), disponibilizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Entre as iniciativas, também houve atendimentos específicos a pessoas em situação de rua, ampliando o alcance das políticas de saúde.

Para o coordenador de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) e Hepatites Virais da Sesma, Reginaldo Junior, o resultado reflete o fortalecimento da rede municipal. Segundo ele, a redução é consequência do trabalho contínuo das equipes de saúde e do investimento em ações permanentes de conscientização. O gestor destaca que a presença das equipes nos territórios tem papel decisivo para aproximar a população dos serviços.

A Secretaria Municipal de Saúde avalia que o desafio agora é manter e ampliar as estratégias adotadas. A expectativa é reduzir ainda mais os índices com a continuidade das campanhas educativas, a ampliação da testagem e o fortalecimento do tratamento precoce em Belém e nos distritos da capital.

Perfil dos registros em 2025

Dos 1.671 casos contabilizados em 2025, a maioria ocorreu entre homens, que somaram 1.241 diagnósticos, enquanto 428 registros foram entre mulheres. Um caso não teve o sexo informado. A análise territorial aponta maior concentração nos bairros do Guamá (135 casos), Pedreira (86), Jurunas (82), Tapanã (70) e Marco (68).

A faixa etária mais impactada segue sendo a de jovens adultos, especialmente entre 25 e 29 anos. Apenas nessa faixa, foram registrados 346 casos, com destaque para pessoas de 25 e 29 anos, que concentraram 73 notificações cada.

Para representantes de movimentos sociais ligados à pauta da saúde e dos direitos das pessoas que vivem com HIV, os números indicam avanço, mas também reforçam a necessidade de continuidade das políticas públicas. Cledson Sampaio, integrante desses movimentos, ressalta que a Atenção Básica é fundamental para sustentar a tendência de queda, já que as unidades de saúde estão inseridas diretamente nas comunidades.

Onde buscar atendimento

Moradores de Belém têm acesso gratuito a testes rápidos, kits de prevenção e medicamentos como PEP e PrEP nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), Estratégias de Saúde da Família (ESF), no Centro de Testagem e Acolhimento (CTA) e na CASA DIA. O serviço especializado oferece acompanhamento médico, exames, fornecimento de medicamentos e apoio psicológico, com sistema de agendamento digital para facilitar o atendimento.

Com a redução inédita registrada em 2025, a capital paraense passa a encarar o controle do HIV/Aids como um objetivo possível, desde que as ações de prevenção, diagnóstico e tratamento continuem sendo tratadas como prioridade na política pública de saúde.