Publicado em 2 de julho de 2026 às 12:56
O que deveria ser um espaço exclusivo de segurança para quem anda a pé virou um cenário de medo e desrespeito à lei. Pedestres e moradores que circulam pela Travessa 9 de Janeiro, no trecho entre as avenidas Magalhães Barata e Governador José Malcher, estão sendo obrigados a disputar espaço com motociclistas que invadem as calçadas em alta velocidade.>
O problema atinge diretamente o cotidiano do bairro de São Brás, gerando riscos diários em uma área crítica: exatamente em frente ao Hospital Amazônia. Para piorar a situação de quem vive ali, o Roma News apurou que as reclamações formais se arrastam há mais de um ano sem nenhuma providência prática das autoridades de trânsito.>
A equipe de reportagem do Roma News esteve no local e comprovou o perigo de perto, registrando diversas manobras ilegais. Moradores relatam que os motoqueiros utilizam as calçadas como pista para fugir do tráfego pesado e do tempo curto do semáforo da região, principalmente nos horários de pico, como na hora do almoço e no fim da tarde.>
Quando são questionados ou filmados pelos pedestres, os condutores reagem com agressividade, xingamentos e ameaças de violência. A situação ficou tão grave que os próprios vizinhos decidiram instalar cones e barreiras improvisadas de madeira na tentativa de bloquear a passagem das motos e proteger quem sai de casa ou do hospital.>
Os depoimentos colhidos pela reportagem revelam o drama de quem convive com o medo diário. A auxiliar de contabilidade Iracema Daltro contou que a rotina de caminhada se transformou em uma atividade de alto risco e que já foi ameaçada por um entregador de aplicativo ao tentar filmar a imprudência.>
“É difícil, é difícil, é perigoso. Temos que desviar das motos, das bicicletas, temos os idosos, crianças que não podem sentar na calçada, não podem brincar. O meu apelo para as autoridades, principalmente para a Segbel, é o que eu já passei o e-mail para eles e até agora não tive retorno. Eu preciso de um agente de trânsito aqui, por favor, constantemente”, desabafou Iracema. Ela relembrou ainda o momento em que foi intimidada por um motorista de aplicativo: “Ele me ameaçou. Eu estava filmando, ele viu eu filmar e me ameaçou dizendo onde eu morava, que ele ia voltar”.>
A moradora Adriana Miléo, que reside no endereço há mais de 30 anos, reforçou que calçadas e garagens estão sendo destruídas pelo peso dos veículos e que acidentes já fazem parte da realidade do trecho. Para ela, as mudanças viárias feitas pela prefeitura agravaram o cenário.>
“É decorrente isso, são todos os dias no horário de almoço, no horário das 18 horas. Está uma situação completamente inviável. As crianças não podem mais sair para brincar, eu sou mãe atípica e o meu filho não pode sair. É arriscado atropelar o idoso, como já aconteceu um atropelamento aqui na calçada. Nós fizemos aqui uma forma improvisada de conter o bloqueio, só que eles passam por cima, eles chamam palavras de baixo calão e nós somos obrigados a escutar isso. Nós recebemos ameaças de diversos mototaxistas que passam por aqui”, afirmou Adriana.>
A indignação da comunidade aumenta diante da falta de respostas do poder público. Segundo os moradores, uma denúncia formal foi enviada à Segbel há 15 dias, gerando um número de protocolo, mas nenhuma resposta foi dada. Em tentativas anteriores de contato direto com guardas de trânsito, a resposta recebida pelos moradores foi de que os agentes nada podiam fazer no momento e que a vizinhança deveria procurar a imprensa e as redes sociais para chamar atenção.>
Sem uma faixa de pedestres na frente do complexo médico e sem o retorno dos órgãos municipais, os moradores temem que uma nova tragédia fatal aconteça na via antes que a fiscalização retorne ao local.>
O Portal Roma News entrou em contato a Secretaria Municipal de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade de Belém (Segbel), mas até o fechamento desta reportagem não teve retorno.>