Caso Yasmin Macêdo: julgamento de Lucas Magalhães tem relatos divergentes sobre morte da jovem

Réu é julgado por homicídio com dolo eventual e outros crimes após desaparecimento de Yasmin Macêdo durante passeio de lancha em Belém

Publicado em 25 de agosto de 2026 às 12:15

Caso Yasmin Macêdo: julgamento de Lucas Magalhães tem relatos divergentes sobre morte da jovem
Caso Yasmin Macêdo: julgamento de Lucas Magalhães tem relatos divergentes sobre morte da jovem Crédito: Foto: Divulgação/Ascom TJPA

O julgamento de Lucas Magalhães, acusado pela morte da influenciadora Yasmin Macêdo, de 21 anos, começou nesta terça-feira (25), no Fórum Criminal de Belém. Durante a sessão, familiares da vítima cobraram respostas sobre o que aconteceu na noite de 12 de dezembro de 2021, enquanto a defesa contestou as acusações apresentadas contra o réu.

Pai de Yasmin, Ricardo Macedo afirmou que a família ainda busca esclarecer as circunstâncias da morte da jovem. Segundo ele, existem divergências entre os relatos apresentados ao longo das investigações.

“A família quer justiça e quer saber como ocorreu o acidente. São depoimentos que não batem uns com os outros. Passamos a madrugada ligando para o celular de Yasmin e ninguém atendeu. Encontramos o Lucas na delegacia da Cidade Nova”, afirmou.

Ricardo também questionou a informação repassada sobre a atuação das equipes de busca. De acordo com ele, houve contradições sobre o horário em que os bombeiros teriam iniciado as buscas por Yasmin. O pai da jovem afirmou ainda que acredita que ela não teria entrado voluntariamente no rio.

“Eu espero que o Lucas conte a verdade. Chega na hora de falar a verdade todos se escondem porque todos estão do lado de Lucas”, declarou.

O pai também mencionou que Yasmin havia realizado procedimentos de coloração no cabelo e era bastante vaidosa. Ele lembrou ainda que a jovem tinha miopia e, por esses motivos, acredita que ela não teria entrado na água.

Ricardo também questionou o depoimento de Bárbara de Araújo, uma das pessoas ouvidas durante o julgamento. Segundo ele, haveria diferença entre declarações anteriores e o relato apresentado nesta terça-feira sobre a relação entre Bárbara e Yasmin.

DEPOIMENTO DE BÁRBARA DE ARAÚJO 

Durante a sessão, Bárbara de Araújo relatou que não presenciou o momento em que Yasmin teria entrado na água. Segundo ela, inicialmente acreditava que a jovem estivesse na escadinha da embarcação.

“Eu estava no meio da lancha dançando quando dei por falta de Yasmin, fui procurar e vi uma outra moça no rio e puxei achando que era Yasmin, mas não era”, relatou.

Bárbara afirmou que conhecia Yasmin havia cerca de quatro meses, após as duas se aproximarem por meio de uma amiga do CrossFit. Ela também contou que aquela não teria sido a primeira vez que Yasmin participou de um passeio de lancha com Lucas.

Segundo o relato, havia consumo de bebidas alcoólicas e o som da embarcação estava alto. Bárbara afirmou que, nessas condições, seria difícil ouvir um pedido de socorro.

Ela também contou que entrou na água para tentar localizar Yasmin, mas acabou sendo levada pela correnteza.

Ainda segundo Bárbara, após o desaparecimento, os ocupantes retornaram à Marina e posteriormente voltaram para auxiliar nas buscas. Ainda segundo relatos, outras embarcações também teriam participado da procura. Ela afirmou que Lucas pediu ajuda às equipes responsáveis.

DEFESA DE LUCAS

O advogado de Lucas Magalhães, Francelino Neto, afirmou que o réu responde por quatro acusações e negou que Lucas tenha cometido homicídio com dolo eventual.

Segundo o advogado de defesa, documentos relacionados às investigações, incluindo informações da Capitania dos Portos, não estabeleceriam relação entre determinadas condutas atribuídas a Lucas e o desaparecimento de Yasmin.

A defesa também afirmou que Lucas não nega ter efetuado disparos de arma de fogo, mas sustenta que os tiros ocorreram em momentos diferentes do desaparecimento da jovem.

Lucas responde por homicídio com dolo eventual, fraude processual e crimes relacionados a porte e disparo ilegal de arma de fogo. Ele está em liberdade provisória desde 2023.

DEPOIMENTO DE CAMILA OLIVEIRA

Camila Beatriz Oliveira, amiga de Lucas, também foi ouvida durante o julgamento. Ela afirmou que os ocupantes da lancha haviam sido alertados sobre os riscos da correnteza, mas que algumas pessoas continuaram entrando no rio.

Camila contou que foi convidada por Marcos Polina, amigo de Lucas, para participar do passeio, que teria reunido mais de dez pessoas. Ela relatou ainda ter ouvido disparos durante a noite, mas disse não ter conseguido identificar quem efetuou os tiros.

A testemunha também mencionou o consumo de bebidas alcoólicas e afirmou que não teria recebido orientações sobre a localização de coletes salva-vidas ou procedimentos em caso de afogamento.

Camila declarou que já havia participado de outros passeios de lancha com Lucas, mas aquela teria sido a primeira vez que esteve com Yasmin.

De acordo com o depoimento, os ocupantes permaneceram por aproximadamente uma hora procurando pela jovem. Depois, os bombeiros teriam sido acionados, enquanto parte do grupo retornou à Marina. Posteriormente, homens que estavam na embarcação voltaram para auxiliar nas buscas.

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SOBRE O CASO

Yasmin Macêdo desapareceu em 12 de dezembro de 2021, durante um passeio de lancha pelo Rio Maguari, em Belém. O corpo da jovem foi localizado dias depois.

Mais de quatro anos após o caso, Lucas Magalhães é submetido a júri popular. O julgamento deve analisar as circunstâncias do desaparecimento e da morte da jovem, além das demais acusações atribuídas ao réu.

A decisão caberá aos jurados, após os depoimentos das testemunhas, manifestações da acusação e da defesa e os debates em plenário.