Cesta básica já consome mais da metade do salário mínimo em Belém, aponta levantamento

O gasto representa 50,65% do salário e exige cerca de 103 horas de trabalho por mês, quase metade da jornada mensal prevista pela legislação trabalhista.

Publicado em 14 de julho de 2026 às 13:58

O gasto representa 50,65% do salário e exige cerca de 103 horas de trabalho por mês, quase metade da jornada mensal prevista pela legislação trabalhista.
O gasto representa 50,65% do salário e exige cerca de 103 horas de trabalho por mês, quase metade da jornada mensal prevista pela legislação trabalhista. Crédito: Agência Brasil

O custo da alimentação continua pesando cada vez mais no bolso dos moradores de Belém. Em junho, o valor da cesta básica chegou a R$ 759,41, registrando o sexto aumento consecutivo em 2026, segundo levantamento do Dieese Pará, realizado em parceria com a Conab.

Na prática, isso significa que um trabalhador que recebe um salário mínimo precisa destinar mais da metade da renda líquida apenas para comprar os alimentos essenciais. O gasto representa 50,65% do salário e exige cerca de 103 horas de trabalho por mês, quase metade da jornada mensal prevista pela legislação trabalhista.

O levantamento mostra que a pressão sobre o orçamento das famílias segue acima da inflação. Nos seis primeiros meses do ano, a cesta básica acumulou alta de 13,93%, percentual muito superior à inflação estimada para o período, de aproximadamente 3,3%.

Entre os produtos que mais contribuíram para o aumento em junho estão o feijão, que ficou 6,01% mais caro, o arroz (2,96%), o leite integral (2,14%) e o tomate (1,30%). Alguns itens apresentaram redução de preço, como açúcar cristal (-2,16%), banana (-1,62%) e café em pó (-1,40%), mas as quedas não foram suficientes para conter o avanço do custo total da cesta.

No acumulado do semestre, os aumentos mais expressivos foram registrados no tomate, que subiu 71,49%, e no feijão, com alta de 66,73%, afetando diretamente produtos presentes diariamente na mesa dos paraenses.

Belém possui atualmente a segunda cesta básica mais cara da Região Norte, atrás apenas de Palmas, onde o conjunto de alimentos custa R$ 790,23. Em âmbito nacional, São Paulo lidera o ranking, com a cesta chegando a R$ 965,47.

Diante desse cenário, o Dieese calcula que o salário mínimo necessário para garantir o sustento de uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 8.110,92, valor cerca de cinco vezes superior ao salário mínimo vigente no país.