Chuvas aumentam risco de gripe no Pará e vacinação contra Influenza segue com baixa adesão

Campanha termina em 28 de fevereiro e menos de 30% do público prioritário buscou proteção contra o vírus

Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 10:10

Chuvas aumentam risco de gripe no Pará e vacinação contra Influenza segue com baixa adesão
Chuvas aumentam risco de gripe no Pará e vacinação contra Influenza segue com baixa adesão Crédito:  Bruno Cecim / Ag. Pará

Com o inverno amazônico mais intenso, as chuvas frequentes têm trazido um alerta importante para a saúde pública no Pará: cresce o risco de contágio por vírus respiratórios, especialmente a gripe. Crianças pequenas, idosos e gestantes estão entre os mais vulneráveis, justamente os grupos que ainda apresentam baixa adesão à vacinação contra a Influenza.

A Campanha de Vacinação, iniciada em 3 de novembro do ano passado, segue até o dia 28 de fevereiro, mas até agora apenas 26,74% do público prioritário foi imunizado. O número preocupa autoridades de saúde, já que a baixa cobertura aumenta o risco de agravamentos da doença e até de mortes.

A gripe é uma infecção viral que atinge nariz, garganta e pulmões. Os sintomas mais comuns incluem febre, calafrios, dores no corpo, tosse, coriza, dor de cabeça e cansaço. Em casos mais graves, a doença pode evoluir para a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).

Dados do Sistema de Informação Sivep-Gripe apontam que, somente em 2025, o Pará já registrou 407 casos de SRAG por Influenza. Desse total, 156 ocorreram em crianças de 0 a 5 anos e 124 em idosos com 60 anos ou mais — um retrato claro de quem mais sofre com a doença.

A vacina disponibilizada pelo SUS tem cepa atualizada e protege contra três tipos de vírus: Influenza A (H1N1), Influenza A (H3N2) e Influenza B. A recomendação é clara: quem faz parte dos grupos prioritários deve procurar o posto de saúde o quanto antes.

Cobertura ainda distante da meta

Até o momento, 737.715 pessoas foram vacinadas no Pará. Destas, 469.685 pertencem aos grupos prioritários, mas a meta é alcançar 1.756.292 pessoas. Entre os números mais baixos estão os idosos, com apenas 24,54% de cobertura, seguidos pelas crianças (28,34%) e gestantes (50,71%).

Durante reunião da Comissão Intergestores Bipartite (CIB), realizada no início de fevereiro, a coordenação estadual de Imunizações reforçou o apelo para que municípios intensifiquem as ações e cheguem às pessoas que não costumam procurar espontaneamente os postos de vacinação.

Destaques entre os municípios

Alguns municípios se destacam positivamente. Na vacinação de idosos, lideram Primavera, Santa Luzia do Pará e Quatipuru. Já entre as crianças, os melhores índices são de Bonito, Primavera e Santarém Novo. No caso das gestantes, municípios como Nova Timboteua e Brejo Grande do Araguaia já ultrapassaram a meta de vacinação.

Como incentivo, os cinco primeiros municípios que atingirem 90% de cobertura nos três grupos prioritários vão receber uma fantasia do personagem Zé Gotinha, para reforçar ações de mobilização.

Outros grupos também podem se vacinar

A campanha também contempla trabalhadores da saúde, professores, forças de segurança, caminhoneiros, pessoas com deficiência permanente, população privada de liberdade e pessoas com doenças crônicas, como diabetes, obesidade grave e imunossupressão, entre outros.

Prevenção vai além da vacina

Além da imunização, cuidados simples ajudam a reduzir o risco de contágio, como lavar as mãos com frequência, manter ambientes ventilados, evitar aglomerações, não compartilhar objetos pessoais e usar máscara em caso de sintomas gripais. Manter boa hidratação e alimentação saudável também faz diferença.

Pais e responsáveis ainda podem aproveitar a ida ao posto para conferir se a caderneta de vacinação das crianças está em dia e garantir proteção contra outras doenças preveníveis.

Com o período chuvoso em curso e a circulação de vírus respiratórios em alta, o recado é direto: vacinar é um ato de cuidado individual e coletivo.