Conta de luz deve subir em 2026 e acende alerta em Belém

Mesmo com previsão menor no Norte, cenário pode pesar no bolso do paraense

Publicado em 23 de fevereiro de 2026 às 15:00

Mesmo com previsão menor no Norte, cenário pode pesar no bolso do paraense
Mesmo com previsão menor no Norte, cenário pode pesar no bolso do paraense Crédito: Reprodução

Em 2026, a conta de energia elétrica deve ficar mais cara em todo o país, e moradores de Belém já precisam se preparar para possíveis reajustes. Consultorias projetam aumento médio de 7,64% no Brasil, podendo chegar perto de 10% em algumas regiões. No Norte, a estimativa inicial é de 3,65%, mas o cenário dos reservatórios e das bandeiras tarifárias pode mudar esse número ao longo do ano.

A energia elétrica foi o item que mais pressionou a inflação em 2025. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a alta foi de 12,31%, enquanto o IPCA geral fechou em 4,26%. Na prática, a luz subiu quase três vezes mais que a inflação oficial.

Para 2026, a Thymos Energia prevê aumento médio de 7,64%. Já a TR Soluções estima alta de 5,4%, ainda acima das projeções do IPCA, que giram abaixo de 4%. No recorte regional, o Norte aparece com previsão de 3,65%, enquanto o Sul pode chegar a 9,81% e o Sudeste a 7,69%.

Mesmo com percentual menor no Norte, consumidores de Belém e de outras cidades paraenses podem sentir o impacto se as condições climáticas piorarem. Dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico mostram que o subsistema Norte está com 64,85% de capacidade nos reservatórios. Em outras regiões, os índices são ainda mais baixos, como no Sul, com 43,92%.

Se as chuvas diminuírem e houver influência de fenômenos como o El Niño, o país pode precisar acionar mais usinas termelétricas, que têm custo maior por dependerem de combustíveis. Esse custo extra é repassado ao consumidor por meio das bandeiras tarifárias.

Na bandeira amarela, o acréscimo é de R$ 1,88 a cada 100 kWh consumidos. Na vermelha patamar 1, o valor extra é de R$ 4,46. Já na vermelha patamar 2, o adicional chega a R$ 7,87 para o mesmo consumo.

Outro fator que deve pesar é o fim do bônus concedido pela Usina Hidrelétrica de Itaipu no último trimestre do ano passado, desconto que não deve se repetir em 2026.

Além disso, a ampliação da tarifa social vai beneficiar famílias de baixa renda, mas deve gerar aumento médio de 0,9% para os demais consumidores regulados. Segundo o Ministério de Minas e Energia, o impacto imediato da medida será de R$ 4,45 bilhões.

Para quem mora em Belém e no Norte, a recomendação é redobrar a atenção ao consumo. Mesmo com previsão inicial menor que em outras regiões, fatores climáticos e decisões regulatórias podem deixar a conta de luz mais alta ao longo de 2026.