Crianças de Belém criam bengala inteligente com materiais regionais para estudantes com deficiência visual

Equipe Amazontech disputa o Torneio Brasil de Robótica na categoria Kids 2 após conquistar títulos regional e nacional no ano passado

Publicado em 25 de setembro de 2026 às 18:39

(Equipe Amazontech.)
(Equipe Amazontech.) Crédito: Divulgação

Uma equipe de crianças de Belém desenvolveu uma bengala inteligente e de baixo custo para auxiliar estudantes com deficiência visual na mobilidade dentro e fora do ambiente escolar. O projeto, criado pela Amazontech, utiliza materiais regionais, como miriti e sementes de tucumã, além de sensores e alertas por vibração para identificar obstáculos no chão e também em alturas que não são alcançadas pelas bengalas convencionais. A equipe vai apresentar a solução no Torneio Brasil de Robótica (TBR) 2026, neste sábado (26), no Colégio Marista, em Belém.

A pesquisa surgiu a partir de uma questão relacionada à educação inclusiva: como garantir que estudantes com deficiência visual possam chegar, circular e participar da escola com mais autonomia e segurança. A partir desse questionamento, os integrantes da Amazontech investigaram as dificuldades enfrentadas por pessoas com deficiência visual e cegueira em Belém e identificaram obstáculos relacionados ao acesso e à adaptação das bengalas longas.

Durante a pesquisa, a equipe observou que modelos padronizados nem sempre acompanham as características e o crescimento das crianças. Além disso, o grupo identificou outra limitação. A bengala convencional é utilizada principalmente para detectar obstáculos no solo, mas não alcança objetos suspensos, como galhos de árvores, placas e estruturas elevadas.

Foi a partir dessas dificuldades que nasceu a proposta da bengala inteligente. O protótipo combina uma estrutura ajustável com sensores capazes de identificar obstáculos em diferentes alturas e emitir alertas por vibração. A tecnologia também conta com um sensor auxiliar instalado em um boné, pensado para identificar objetos que estejam acima do alcance da bengala.

Outro diferencial do projeto está nos materiais utilizados. A estrutura é feita de alumínio, escolhido por ser leve e resistente. O cabo anatômico utiliza miriti, material regional que permite modelagem, enquanto uma semente de tucumã foi utilizada na ponteira devido à sua dureza e resistência. Segundo a equipe, o material também produz sons diferentes ao entrar em contato com superfícies, contribuindo para a identificação de características do ambiente.

Os alertas são transmitidos por vibração por meio de sensores posicionados na região das mãos. Dessa forma, o usuário pode receber informações sobre obstáculos sem depender exclusivamente do contato da ponteira com o chão.

Pesquisa nasceu dentro da escola

Para desenvolver a proposta, os integrantes da Amazontech realizaram uma pesquisa de campo no Instituto Álvares de Azevedo. A experiência permitiu que as crianças conhecessem diferentes aspectos relacionados ao uso da bengala e observassem, na prática, dificuldades enfrentadas por pessoas com deficiência visual.

O trabalho também foi relacionado ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 4, da Organização das Nações Unidas (ONU), que trata da garantia de educação inclusiva, equitativa e de qualidade e da promoção de oportunidades de aprendizagem ao longo da vida.

A equipe também utilizou como referência dados do Censo Demográfico de 2022, divulgados pelo IBGE em 2025, segundo os quais 7,9 milhões de brasileiros possuem dificuldade permanente para enxergar, mesmo utilizando óculos ou lentes de contato.

Equipe volta ao torneio após títulos

A Amazontech vai disputar a categoria Kids 2 do Torneio Brasil de Robótica 2026, destinada a crianças de 7 a 10 anos. A modalidade trabalha pesquisa científica, elaboração de relatórios e apresentação dos projetos diante de visitantes e avaliadores.

A equipe já chega à competição com experiência. No ano passado, os integrantes foram campeões nas etapas Regional e Nacional da categoria Kids 1, em Belo Horizonte.

A metodologia do torneio trabalha resolução de problemas, pesquisa, desenvolvimento de soluções e habilidades técnicas e científicas desde a infância.

A etapa de 2026 será realizada neste sábado (26), no Colégio Marista, em Belém. O evento será aberto ao público e terá entrada gratuita. Além das apresentações dos projetos, os participantes também vão mostrar suas montagens e soluções desenvolvidas durante a preparação para a competição.