Cripta da Basílica de Nazaré é reaberta após três anos de restauro

Espaço no subsolo da Basílica foi entregue nesta segunda-feira (17) e começa a receber visitantes a partir desta terça (18), mediante agendamento prévio.

Publicado em 17 de agosto de 2026 às 14:55

Espaço no subsolo da Basílica foi entregue nesta segunda-feira (17) e começa a receber visitantes a partir desta terça (18), mediante agendamento prévio.
Espaço no subsolo da Basílica foi entregue nesta segunda-feira (17) e começa a receber visitantes a partir desta terça (18), mediante agendamento prévio. Crédito: Reprodução

Nesta segunda-feira (17), foi entregue a Cripta da Basílica Santuário Nossa Senhora de Nazaré, em Belém, após três anos de obras de restauração. Localizado no subsolo da igreja, o espaço começa a receber visitantes a partir desta terça-feira (18), mediante agendamento prévio e acompanhamento da Equipe de Educação Patrimonial.

A entrega ocorreu às 10h30, após uma Santa Missa, e reuniu Padres Barnabitas da Basílica Santuário de Nazaré, representantes da Diretoria da Festa de Nazaré (DFN), responsáveis pelo projeto de restauro e integrantes do Instituto Cultural Vale.

Entre os participantes estavam o padre Francisco Cavalcante, pároco da Basílica, a coordenadora-geral do projeto de restauro, Luci Azevedo, o diretor de engenharia da DFN, Antonio Salame, e a coordenadora do Instituto Cultural Vale, Gabriela Feitosa.

Segundo o padre Cavalcante, neste primeiro momento a Cripta será utilizada principalmente para visitações. A proposta, no entanto, é ampliar gradualmente a programação e transformar o espaço também em um local para celebrações e atividades culturais.

Entre as possibilidades estão missas, recitação das Mil Ave-Marias e concertos sacros.

“A ideia é trazer para cá para que as pessoas possam contemplar a arte, a música e a beleza desse espaço, redescobrir esse espaço. A programação está sendo construída paulatinamente”, afirmou o pároco.

O espaço ainda receberá novos elementos. De acordo com Cavalcante, estão previstos vitrais, altar e outros utensílios que vão completar a composição da Cripta.

Enquanto essa etapa não é concluída, quem quiser conhecer o local já pode fazer o agendamento no atendimento da Basílica. Para informações e marcações, o telefone é 4009-8440.

A visitação terá acompanhamento da Equipe de Educação Patrimonial, que vai apresentar aos visitantes detalhes da história e do processo de restauração.

A Cripta já havia sido utilizada ao longo dos anos, mas não chegou a ser concluída de acordo com o projeto original da Basílica.

Segundo o padre Cavalcante, o espaço passou por diferentes adaptações e chegou a ter divisões provisórias e materiais mais simples. A utilização também ficava concentrada em grupos específicos.

“A Cripta nunca havia sido terminada como o projeto original previu. Então, no decorrer dos anos, ela foi utilizada de várias maneiras. Havia aqui umas divisões provisórias, materiais muito mais simples. Ela já era aberta de certa forma, porém não havia sido tão visitada, porque era de atuação de alguns grupos específicos e a assistência era muito pontualizada”, explicou.

Com o restauro, o ambiente foi reorganizado e recebeu uma estrutura preparada para diferentes tipos de atividades.

A Cripta agora conta com bancos, confessionários, banheiros, copa e uma exposição que apresenta informações sobre o próprio processo de restauração.

O projeto também incluiu recursos de acessibilidade, como elevadores, rampas e banheiro adaptado para pessoas com deficiência (PcDs).

A aposentada Celeste Nogueira, de 79 anos, esteve na entrega da Cripta e aproveitou para conhecer de perto o resultado do trabalho.

Durante a visita, ela destacou o cuidado empregado nos detalhes do espaço e elogiou os profissionais envolvidos na restauração.

“Isso aí é uma verdadeira obra de arte. Os que trabalharam nela são artistas de verdade, do menor ao maior, porque aqui tudo é muito minucioso”, afirmou.

Para Celeste, restaurar um patrimônio histórico exige cuidado para preservar as características originais.

“Você não pode pegar um pincel e ir de qualquer jeito. Tem que obedecer uma regra, uma história. Cada detalhe tem a sua peculiaridade”, comentou.

O trabalho de restauração da Basílica de Nazaré começou a ser planejado ainda em 2010, segundo Antonio Salame, diretor de engenharia da Diretoria da Festa de Nazaré.

De acordo com ele, foram cerca de dois anos dedicados ao planejamento inicial. Depois, o projeto foi encaminhado para aprovação e retornou com novas exigências que precisaram ser atendidas.

Após a captação dos recursos necessários, as obras da Cripta começaram em 2023.

Para Salame, a conclusão representa a recuperação de um espaço que poderá ter diferentes funções dentro da Basílica.

“É uma alegria muito grande ver que esse espaço foi readequado para o uso de celebrações, de concertos e coisas que realmente possam contribuir com a grandeza do povo de Deus”, afirmou.

A coordenadora-geral do projeto de restauro, Luci Azevedo, destacou que a entrega da Cripta ocorreu dentro do cronograma previsto para 2026, antes do Círio de Nossa Senhora de Nazaré.

Além das atividades religiosas, a intenção é utilizar o espaço como ambiente de educação patrimonial.

Segundo Luci, a etapa principal de intervenção foi concluída. O próximo trabalho será a instalação dos vitrais nas janelas laterais, prevista para novembro.

“Não tem mais nenhuma intervenção. O que vai ser realizado agora é a colocação dos vitrais, que vão ser nas janelas laterais. Vai acontecer em novembro. Ainda tem toda uma organização de infraestrutura”, explicou.

Com isso, a Cripta poderá começar a receber visitantes enquanto os últimos elementos previstos para o projeto são instalados.

A partir desta terça-feira (18), a Cripta passa a fazer parte novamente do circuito de visitação da Basílica. O acesso, neste primeiro momento, será feito mediante agendamento prévio pelo telefone 4009-8440, com acompanhamento da equipe responsável pela educação patrimonial.

A expectativa é que, além de preservar a história do espaço, a Cripta volte a ser utilizada para atividades religiosas, culturais e educativas, aproximando moradores e visitantes de uma parte importante do patrimônio histórico e religioso de Belém.