Publicado em 22 de janeiro de 2026 às 07:56
Uma disputa interna de grandes proporções veio a público dentro da Igreja do Evangelho Quadrangular e expôs um racha entre a direção nacional da denominação e a liderança estadual no Pará. O presidente nacional da igreja, pastor Mário de Oliveira, passou a cobrar explicações formais do Conselho Estadual das Igrejas Quadrangulares no Pará sobre a aplicação de cerca de R$ 10 milhões enviados ao Estado.>
O conselho paraense é presidido pelo pastor Josué Bengtson, que agora se vê no centro de questionamentos feitos diretamente pelo comando nacional da igreja. Segundo Mário de Oliveira, os valores repassados não tiveram a destinação devidamente esclarecida, e há suspeitas de que parte dos recursos possa ter sido direcionada a empresas ligadas a familiares, sem comprovação dos serviços prestados à instituição religiosa.>
A cobrança por transparência, de acordo com o líder nacional, partiu do próprio Conselho Nacional da Quadrangular, responsável pelos repasses. Até o momento, segundo ele, a documentação apresentada não foi suficiente para esclarecer o uso do dinheiro.>
Além das questões financeiras, Mário de Oliveira afirmou que chegaram ao conhecimento da instância nacional denúncias consideradas graves envolvendo a atuação de uma pastora com forte influência no Pará. Diante disso, anunciou a abertura de apurações internas relacionadas à conduta da pastora Eurides Obalski, embora não tenha detalhado o conteúdo das acusações nem possíveis responsabilidades.>
O episódio ganhou contornos ainda mais delicados durante um evento da igreja realizado no Estado. Em vídeo que circula entre fiéis, o presidente nacional faz acusações diretas ao comando estadual, citando supostas irregularidades financeiras, ausência de registro formal de igrejas vinculadas à Quadrangular, além de possíveis desvios de recursos, com menção a valores que chegariam a R$ 4 milhões. Também foi citada a entrada de recursos oriundos de diferentes instâncias da igreja sem a devida prestação de contas.>
Durante o evento, o pastor Josué Bengtson tentou se manifestar, mas teve o uso do microfone impedido. A orientação para que falasse “sem microfone” gerou constrangimento público e foi vista por integrantes da igreja como uma situação humilhante.>
Josué Bengtson atua há décadas como missionário na Amazônia e já ocupou cargo de deputado federal. No passado, seu nome foi associado a investigações como a chamada “máfia das ambulâncias” e a reportagens que apontaram suspeitas de enriquecimento ilícito — acusações que ele sempre negou.>
Desta vez, porém, as críticas partem diretamente do mais alto nível da própria Igreja do Evangelho Quadrangular, o que amplia o impacto do caso. Até agora, nem o Conselho Estadual da Quadrangular no Pará nem Josué Bengtson apresentaram manifestação pública detalhada sobre as cobranças envolvendo os R$ 10 milhões. Também não vieram a público documentos que esclareçam oficialmente a destinação dos recursos.>
Nos bastidores, a crise já provoca desgaste entre fiéis e lideranças locais, sobretudo pela exposição pública do conflito e pela forma como o embate foi conduzido, marcando um momento incomum na história recente da denominação no Estado.>
A redação do Roma News entrou em contato com conselho Estadual das Igrejas Quadrangulares no Pará, que é presidido pelo pastor Josué Bengston, e aguarda um posicionamento. A matéria está em atualização>