Publicado em 20 de fevereiro de 2026 às 16:18
Em 10 de julho de 2023, em Belém, a delegada da Polícia Civil Amanda Souza teve os dois filhos, de 9 e 12 anos, assassinados pelo ex-marido dentro da própria residência, após ela decidir encerrar um relacionamento abusivo marcado por ciúmes e controle, em um crime caracterizado como violência vicária, quando o agressor atinge os filhos para causar sofrimento emocional à mãe.>
Em entrevista à BBC News Brasil, Amanda relembrou o dia que mudou sua vida para sempre e relatou que recebeu uma mensagem do ex-companheiro na manhã do crime, afirmando que o futuro dela seria de tristeza e solidão. Horas depois, enquanto trabalhava, ele ligou e confessou o assassinato das crianças.>
Segundo a delegada, o relacionamento apresentava sinais de abuso psicológico e controle extremo, que se intensificaram após sua mudança para o Pará para assumir o cargo na Polícia Civil. Ela contou que o ex-marido monitorava seus passos, exigia saber onde estava e com quem falava, além de demonstrar ciúmes constantes.>
O crime ocorreu após o término da relação, motivado pela recusa dela em continuar no relacionamento. Após assassinar os filhos, o homem também tirou a própria vida.>
O caso fez Amanda reviver o trauma ao tomar conhecimento de um crime semelhante ocorrido em 11 de fevereiro deste ano, em Itumbiara, Goiás, onde um pai matou os dois filhos e cometeu suicídio. Para ela, além da dor irreparável, outro fator agrava ainda mais o sofrimento das mães: a culpabilização da vítima.>
Amanda criticou os comentários nas redes sociais que tentavam responsabilizar a mãe pelo crime cometido pelo agressor, classificando esse comportamento como cruel e reflexo de uma cultura machista que ainda persiste no país.>
Ela explicou que esse tipo de crime é caracterizado como violência vicária, quando o agressor utiliza os filhos como instrumento para causar dor emocional e destruir psicologicamente a mulher.>
Mesmo diante da tragédia, Amanda afirma que encontrou forças para seguir em frente e decidiu transformar sua dor em ferramenta de conscientização. Hoje, ela trabalha em Belém e busca ajudar outras mulheres a reconhecer sinais de relacionamentos abusivos e se protegerem.>
A delegada também pretende aprofundar seus estudos sobre o tema e destaca que identificar padrões de comportamento abusivo é essencial para prevenir novas tragédias. Segundo ela, o autoconhecimento e a independência financeira são fatores fundamentais para que mulheres consigam sair de relações abusivas com segurança.>