Publicado em 2 de janeiro de 2026 às 14:07
Quatro casarões antigos foram demolidos na tarde da última quarta-feira (31), último dia do ano, no cruzamento da avenida Senador Lemos com a travessa Dom Romualdo de Seixas, no bairro do Umarizal, em Belém. As construções, consideradas por especialistas como de valor histórico e cultural, deram lugar a escombros após a ação de operários e máquinas no local.
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Em nota, a Prefeitura de Belém informou que o imóvel não possuía mais status de bem tombado desde 27 de dezembro de 2023, quando foi destombado por meio do Decreto nº 109.034-PMB, durante a gestão do então prefeito Edmilson Rodrigues.>
A atual administração municipal afirmou ainda que irá multar a empresa responsável pela demolição e adotar as demais providências administrativas cabíveis, após constatar a ausência de alvará de demolição, exigência prevista na legislação urbanística do município.>
Já a gestão do ex-prefeito Edmilson Rodrigues informou que o Decreto nº 109.034, de 27 de dezembro de 2023, seguiu rigorosamente o que estabelece a legislação vigente e homologou uma resolução aprovada pelo Conselho Municipal de Proteção ao Patrimônio Cultural do Município de Belém (CMPPCB), instância autônoma, com base em pareceres técnicos.>
Intervenções em imóveis devem obedecer trâmites legais previstos na legislação municipal.>
Especialista critica perda histórica>
Para o historiador Michel Pinho, o episódio evidencia fragilidades na política de preservação do patrimônio. Ele explica que o tombamento é um instrumento de reconhecimento oficial do valor histórico e simbólico de um bem.>
“O tombamento é o reconhecimento pelo ente federativo, seja município, estado ou governo federal, de que aquele bem deve ser preservado por estar diretamente ligado à história ou à memória de uma sociedade”, afirmou.>
Segundo o historiador, o destombamento deve ser analisado com cautela. “Ele precisa ser estudado caso a caso, avaliando se há perda de interesse patrimonial ou se o imóvel está desvinculado de outros bens protegidos”, explicou.>
No caso específico dos casarões demolidos no Umarizal, Michel Pinho lamenta a perda irreparável. “Essas casas apresentavam características claras de construção do final do século XIX e início do século XX, como o pé-direito elevado, a ornamentação e o partido interno. Perdemos não só edificações, mas referências históricas importantes”, destacou.>
O especialista também defendeu alternativas à demolição. “Devemos pensar em outras possibilidades de uso do patrimônio. Há conhecimento técnico, arquitetônico e econômico suficiente para dar novas funções a esses imóveis, sem destruí-los”, pontuou.>
Ao final, o historiador resumiu o sentimento provocado pela demolição. “Não é apenas uma opinião, é uma sensação de impotência, de revolta e indignação ao ver a história e a arquitetura da cidade se esvaírem dessa forma”, concluiu.>