Publicado em 6 de abril de 2026 às 19:09
Belém do Pará recebe, a partir do dia 9 de abril de 2026, a exposição “Trajetórias – Arte Contemporânea Paraense”, um amplo panorama da produção artística do estado ao longo de mais de seis décadas. Com curadoria de Vânia Leal e obras da Coleção Eduardo Vasconcelos, a mostra segue em cartaz até 14 de junho de 2026 no Centro Cultural Banco da Amazônia, com visitação gratuita.>
A exposição é uma realização do Governo do Brasil e do Banco da Amazônia, com patrocínio do Banco da Amazônia, e foi uma das mostras vencedoras do primeiro Edital de Ocupação do Centro Cultural Banco da Amazônia 2026–2027, espaço que completa seis meses de inauguração em 9 de abril, data de lançamento de Trajetórias.>
“A realização desse primeiro edital vem para reafirmar o compromisso do Banco da Amazônia como um impulsionador da cultura, para reconhecer e valorizar ações artísticas e culturais regionais, bem como a diversidade cultural, étnica, social e territorial da Amazônia. Outro ponto de destaque é a democratização do acesso à cultura, tendo em vista que a programação do Centro Cultural é gratuita e, no que concerne à mostra Trajetórias, essa disponibilizará aos visitantes obras de um acervo privado”, destaca Ruth Helena Lima, gerente de Marketing, Comunicação e Promoção do Banco da Amazônia.>
Reunindo mais de 130 artistas — paraenses ou com forte vínculo com o Pará —, a exposição percorre um arco temporal que vai de 1959 até 2026, evidenciando a diversidade de linguagens, gerações e contextos que constituem a arte contemporânea na região. “Esta exposição busca aliar poéticas diversas, perfazendo uma gama ampla de artistas, o que demonstra a qualidade artística produzida durante esse período temporal. Trazemos mais de 50 anos de artes plásticas, sendo 60 se considerarmos da obra mais antiga à mais recente. Acreditar nessa produção artística, no quanto ela representa hoje e para gerações futuras, é a força motriz que impulsionou este recorte, que tem como principal parceiro e patrocinador, o Banco da Amazônia e seu Centro Cultural”, destaca o colecionador Eduardo Vasconcelos, que possui hoje em seu acervo mais de 900 obras, entre pinturas, esculturas, gravuras e objetos diversos.>
A mostra não se organiza como uma linha do tempo tradicional, mas, como um campo de encontros. Pintura, fotografia, objeto, instalação e performance se entrecruzam em um percurso que evidencia a potência da visualidade amazônica, marcada por hibridismos culturais, questões identitárias e relações com o território.>
Para a curadora Vânia Leal, o projeto representa um gesto curatorial e também político. “Trajetórias marca um ponto importante ao reunir 120 artistas com representatividade nas artes visuais do Pará, entre 1959 até o momento atual. Não se trata de uma linha do tempo, mas de um encontro de linguagens, gerações e contextos diferentes”, destaca. Ela também ressalta o caráter reparador da exposição. “O diferencial desse recorte potente é o gesto de reinscrever artistas que, por diferentes razões, foram deslocados ou silenciados, ampliando o debate crítico e sensível sobre a arte contemporânea paraense”, esclarece.>
Outro destaque da exposição é a passagem do acervo privado para o espaço público. Com cerca de 900 obras e em constante crescimento, a Coleção Eduardo Vasconcelos se afirma como um “arquivo vivo”, reunindo histórias, encontros e processos. “Tornar acessível algo tão particular ativa um potencial simbólico importante e reafirma o colecionismo como prática de preservação, pesquisa e difusão cultural”, afirma a curadora.>
Ela destaca ainda que a coleção Eduardo Vasconcelos caminha como uma fonte inesgotável de recortes importantes. “Esse recorte é extenso e traz a dimensão de alguém como o Eduardo, que acompanha a cena da arte no Pará. A coleção segue para a sua quinta exposição, e todas foram realizadas por meio de editais importantes que passaram por júri especializado com muita qualidade. A coleção reafirma uma prática de preservação, pesquisa e difusão cultural, principalmente para as novas gerações, para conhecerem a qualidade dos artistas que compõem a arte contemporânea paraense, no fluxo de muito movimento”, ressalta.>
Eixos curatoriais>
Dividida em três eixos — Raízes (1959–1979), Rupturas (1980–1999) e Confluências (2000–2026) —, a mostra propõe um percurso histórico e sensorial que evidencia a expansão e a internacionalização da arte amazônica, ao mesmo tempo em que reafirma sua singularidade. A curadora explica que “Trajetórias” nasce do desejo de tornar visível o processo de experimentação, resistência e invenção que define a arte contemporânea brasileira no Pará. Diferente da institucionalização observada no eixo sul-sudeste, o percurso artístico na Amazônia estruturou-se por vias mais orgânicas e descontínuas, mas profundamente conectadas às complexidades simbólicas do território.>
Segundo Vânia, a exposição não propõe uma linha do tempo rígida, mas um "campo de forças" onde linguagens e gerações se entrecruzam. O recorte abrange desde a afirmação de nomes como Ruy Meira e Valdir Sarubbi nos anos 1970, passando pela consolidação de artistas como Emmanuel Nassar e Luiz Braga nas décadas de 80 e 90, até a diversificação contemporânea de Berna Reale e Marcone Moreira.>
“A mostra reafirma a Amazônia como um território de pensamento crítico, defendendo que não existe uma ‘arte amazônica’ única, mas sim ‘diferentes rizomas de individualidades alicerçadas na experiência com o território’. Assim, além de oferecer um panorama histórico, ‘Trajetórias’ assume um papel de reparação ao reinserir artistas que foram silenciados ou deslocados das narrativas oficiais recentes, ampliando o repertório sensível sobre a arte paraense”, ressalta.>
Programações ao longo da exposição>
Além da exposição, o projeto inclui ações educativas, visitas mediadas, rodas de conversa, oficinas e conteúdos digitais acessíveis, ampliando o alcance e a democratização do acesso à cultura. Ao longo do período expositivo haverá ainda o lançamento de um livro com a catalogação do acervo exposto, o qual será distribuído gratuitamente. Para acessar a programação educativa e seus respectivos horários, basta acessar os Instagrams @bancoamazoniacultural (Centro Cultural Banco da Amazônia) e @colecaoeduardovasconcelos (Coleção Eduardo Vasconcelos) ou os sites www.bancoamazonia.com.br/centrocultural e www.colecaoeduardovasconcelos.com.br.>
Serviço>
Exposição: Trajetórias – Arte Contemporânea Paraense>
Local: Centro Cultural Banco da Amazônia - Av. Pres Vargas, 800>
Inauguração: 9 de abril de 2026>
Período de visitação: 10 de abril a 14 de junho de 2026>
Entrada: gratuita>
Horários: ter a sex 10h às 16h; sáb, dom e fer 10h às 14h>