Feiras da Farinha e do Açaí, no Ver-o-Peso, se transformam em cracolândia à luz do dia

Feiras localizadas no Complexo do Ver-o-Peso estão tomadas por usuários de drogas, que consomem os entorpecentes à luz do dia, na frente de todos, sem serem incomodados.

Publicado em 19 de agosto de 2026 às 14:03

No local, todos os dias, por volta do meio-dia, forma-se uma fila de dependentes químicos para comprar drogas.
No local, todos os dias, por volta do meio-dia, forma-se uma fila de dependentes químicos para comprar drogas. Crédito: Roma News 

O abandono a que a Prefeitura de Belém relegou a cidade não fica patente somente no legado da COP-30, com equipamentos que estão se perdendo por falta de atenção, manutenção e gestão. No mais importante e tradicional “cartão postal” de Belém - o Complexo do Ver-o-Peso -, a Feira do Açaí e o local onde funciona a Feira da Farinha se transformaram numa cracolândia a céu aberto, sem que ninguém tome providências, apesar de medidas já terem sido anunciadas pela Prefeitura, mas os usuários continuam consumindo drogas no local, como comprovam as imagens feitas nesta quarta-feira (19).

A Feira da Farinha, por exemplo, está tomada por pessoas em condição de rua, sem famílias, abandonados à própria sorte, totalmente imersas no consumo diário de drogas. No local, todos os dias, por volta do meio-dia, forma-se uma fila de dependentes químicos para comprar drogas, vendidas e consumidas na frente de todos, inclusive turistas, que se apavoram com a cena dantesca.

Os comerciantes do local evitam tocar no assunto por medo de represálias, e se recusam terminantemente a dar entrevistas, mas informalmente afirmam que não veem solução para o problema, que há meses se arrasta sem que a Prefeitura de Belém tenha resolvido o problema do consumo de drogas no local, sem sequer a presença de uma viatura da Guarda Municipal.

Dentro da Feira da Farinha, os usuários de drogas se exaltam, discutem entre si, consomem álcool e frequentemente ocorrem desentendimentos à luz do dia. A quantidade de clientes atrás de produtos como farinha e sacas de laranja, entre outras, é escassa, dando a impressão de que o local foi realmente tomado pelos usuários de drogas.

Na Feira do Açaí, o clima é menos pesado, porém a quantidade de clientes não é mais a mesma de outros tempos. “Mas a gente consegue sobreviver, apesar das dificuldades”, diz um comerciante que pediu para não se identificar. Outro fato que chama atenção é que alguns proprietários de quiosques evitam receber dinheiro em espécie, alegando que qualquer risco ou corte na cédula por inviabilizar a sua validade, preferindo o pagamento por Pix, o que deixa transparecer que evitam dinheiro em espécie por uma questão de segurança, apesar de não confirmarem.

Peixe e Açaí

Cliente que costuma frequentar regularmente a feira acredita que o abandono é proposital, uma vez que a Prefeitura de Belém está providenciando a transferência do comércio de peixe e açaí para outro local, onde será construído um novo terminal.

A Prefeitura já anunciou a criação do “Mercado das Águas”, um novo projeto que visa transformar o antigo Iate Clube do Pará, no bairro da Condor, em um moderno centro de abastecimento do peixe e açaí provenientes da região das ilhas de Belém.

Megaoperação

Apesar do novo projeto, não se pode aceitar que o Ver-o-Peso se transforme numa cracocândia. Em vídeo gravado nas redes sociais, o prefeito Igor Normando diz que não é “cego”, anunciou uma megaoperação da Guarda Municipal para resolver o problema, justificando que medidas já foram tomadas para acolher os usuários de drogas.

No dia 8 deste mês, a Prefeitura de Belém realizou uma megaoperação com a Guarda Municipal no local e anunciou a criação de um posto fixo da Polícia Militar na feira, mas a situação permanece a mesma, como comprovam as imagens gravadas nesta quarta-feira (19). A situação exige, portanto, medidas urgentes para garantir a saúde desses usuários de drogas e a segurança de quem frequenta o local para que o Ver-o-Peso volte a ser merecedor de cartão postal do turismo na capital.