Publicado em 30 de julho de 2026 às 12:40
Aos 68 anos, Sara Cezar Quaresma enfrenta uma mudança radical em sua vida. Moradora há mais de quatro décadas da Vila Cinco Irmãos, na Rua dos Tamoios, no bairro Batista Campos, em Belém, ela precisou abandonar a casa onde criou sozinha os três filhos, mantinha um templo religioso de matriz africana (Ilê-Axé) e realizava atendimentos como taróloga e consultora espiritual.
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Segundo ação judicial movida pela idosa, os problemas estruturais surgiram após o início das obras do empreendimento Torre Vértice, da construtora Leal Moreira, erguido em um terreno vizinho ao imóvel. Com o avanço da construção, a residência passou a apresentar rachaduras, fissuras, afundamentos e outros danos que, de acordo com um laudo técnico elaborado em março de 2026, são compatíveis com movimentações do solo provocadas pelas escavações e fundações da obra.>
O documento aponta a existência de nexo causal entre os serviços executados no empreendimento e os danos registrados na residência, além de recomendar a desocupação imediata do imóvel devido ao risco estrutural.>
Nas redes sociais, Sara tem compartilhado imagens que mostram o estado da casa e relatado o impacto da situação em sua vida. “ Essa é minha casa onde eu vivi toda minha história de axé, onde eu dediquei a minha vida inteira.. Essa é minha casa que agora está sendo derrubada. Minha casa está caindo”, relata.>
A deterioração da estrutura levou à interdição da residência e obrigou a moradora a deixar o local de forma emergencial. Desde então, ela passou a viver de favor na casa da irmã, em Ananindeua, e afirma que ficou impossibilitada de exercer as atividades que garantiam seu sustento.>
“Eu tive que sair daqui às pressas. Eu estava em pé e senti o chão tremer. A casa está cheia de rachaduras, ameaçando cair. Quando eu senti o chão tremer, não foi só o chão que tremeu, foi a minha vida, que agora está sendo destruída”, lamenta a idosa.>
De acordo com a advogada Kelly Garcia, os primeiros sinais de comprometimento da estrutura começaram a aparecer ainda em 2025, quando tiveram início as etapas de fundação da obra vizinha.>
“A casa dela já vinha sendo abalada desde o ano passado, mais ou menos agosto, quando iniciou a fundação, porque a casa dela fica na Tamóios, em uma vila, é a última casa da vila, fica no muro do terreno do prédio que eles estão construindo, aí eles começaram a botar o bate estaca em novembro e começou a praticamente ruir a casa dela, então no final de fevereiro ela teve que sair às pressas porque o risco era muito, muito grande da casa cair. Uma arquiteta profissional foi lá, fez um laudo, e disse que era melhor ela realmente não ficar, porque o risco era ela não acordar, ou seja: a casa desabar na cabeça dela com o filho”, explicou a advogada.>
Além de perder a moradia, Sara afirma ter deixado para trás objetos ligados à sua prática religiosa, considerados sagrados por ela. Atualmente, a disputa está sendo analisada pela Justiça.>
Segundo Kelly Garcia, já houve uma decisão determinando o pagamento de uma pensão enquanto o processo segue em tramitação.>
“A justiça determinou que a construtora, bem como na verdade o grupo econômico, Leal Moreira, pague uma pensão para a parte autora, enquanto não resolve essa questão”, pontuou Kelly.>
A ação pede indenização por danos materiais, morais, existenciais e lucros cessantes. A defesa argumenta que a idosa perdeu não apenas sua residência, mas também o espaço onde exercia sua fé, trabalhava e mantinha vínculos com a comunidade.>
“Quando ela saiu da casa dela, ela parou de produzir. Ela é taróloga, trabalha profissionalmente com candomblé. Ela parou de produzir e não tem mais renda, ou seja, não tem de onde se sustentar”, explicou a advogada.>
O Roma News encontrou em contato com a construtora Leal Moreira e aguarda posicionamento.>