Indígenas ameaçam incendiar linhão e anunciam bloqueio da BR-222 no sudeste do Pará

Protesto deve fechar rodovia entre Marabá e Bom Jesus do Tocantins nesta terça (5); tensão cresce com ameaça a estrutura elétrica estratégica

Publicado em 4 de maio de 2026 às 17:37

Indígenas ameaçam incendiar linhão e anunciam bloqueio da BR-222 no sudeste do Pará
Indígenas ameaçam incendiar linhão e anunciam bloqueio da BR-222 no sudeste do Pará Crédito: Reprodução/Redes Sociais

Um vídeo que circula nas redes sociais acendeu o alerta de autoridades no sudeste do Pará ao mostrar indígenas ameaçando derrubar uma torre de transmissão de energia e incendiar um linhão caso não haja respostas do governo federal às reivindicações do movimento.

A ameaça envolve uma estrutura considerada estratégica para o abastecimento elétrico da região, o que pode provocar impactos diretos em Marabá e municípios vizinhos, com risco de interrupção no fornecimento de energia.

Além disso, os manifestantes anunciaram o bloqueio da BR-222, no trecho entre Marabá e Bom Jesus do Tocantins. A interdição está prevista para começar às 7h desta terça-feira (5) e deve ocorrer por tempo indeterminado. O grupo afirma que, caso não haja avanço nas negociações, pode colocar fogo no linhão.

O protesto faz parte de uma mobilização que já dura 29 dias e reúne 14 povos indígenas da região de Carajás, incluindo grupos Xikrin e Gavião. Eles cobram a criação do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Carajás, com sede em Marabá, além de melhorias no atendimento de saúde nas aldeias.

Entre as lideranças citadas no contexto do vídeo está Jakure Pepkrakte, apontado como um dos participantes da manifestação. Apesar disso, há divergências internas entre as aldeias, e nem todos os grupos indígenas concordam com a radicalização e com as ameaças feitas durante o protesto.

Os manifestantes também reivindicam uma reunião direta com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, para tratar das demandas. Segundo o movimento, a falta de diálogo e de respostas concretas por parte do poder público tem levado ao endurecimento das ações.

A mobilização segue ganhando adesão de outros povos indígenas no Pará, ampliando a pressão sobre o governo federal e aumentando o clima de tensão na região.