Indígenas são obrigados a desocupar unidade da Cargill em Santarém

A decisão foi publicada nesta terça-feira (24) no Diário Oficial da União

Publicado em 24 de fevereiro de 2026 às 14:48

A decisão foi publicada nesta terça-feira (24) no Diário Oficial da União
A decisão foi publicada nesta terça-feira (24) no Diário Oficial da União Crédito: Coletivo Apoena

Indígenas que ocupam as instalações da Cargill em Santarém, no oeste do Pará, afirmaram que devem deixar o terminal nas próximas 48 horas, após o governo federal revogar o decreto que previa a inclusão de hidrovias da região Norte no Programa Nacional de Desestatização. A decisão foi publicada nesta terça-feira (24) no Diário Oficial da União.

A desocupação é condicionada à organização logística do retorno às aldeias. Segundo lideranças do movimento, há necessidade de limpeza da área e, principalmente, de apoio para transporte fluvial, já que a maioria das famílias utiliza barco para se deslocar. O grupo reúne adultos e crianças que permaneceram no local durante o protesto.

A ocupação das instalações ocorreu no fim de semana, mas o impasse já se arrastava há semanas. Antes de entrar no terminal, os manifestantes bloquearam o acesso de caminhões e interromperam o fluxo de cargas em um período estratégico para o agronegócio, enquanto o Brasil colhe mais uma safra recorde de soja.

O decreto revogado, de número 12.600, autorizava a inclusão das hidrovias dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós em um programa que poderia viabilizar concessões à iniciativa privada. Para os povos indígenas, a medida abriria caminho para intervenções como dragagem e ampliação da navegação comercial, com impactos diretos na qualidade da água, na pesca e no modo de vida das comunidades ribeirinhas e tradicionais.

Santarém é um dos principais corredores de exportação de grãos do Norte do país. O terminal da Cargill na cidade recebe soja e milho que seguem pela hidrovia do Tapajós até mercados internacionais. Segundo dados do setor portuário, mais de 5,5 milhões de toneladas foram exportadas pelo terminal no ano passado.

Com a revogação do decreto, os indígenas consideram atendida a principal reivindicação do movimento. Ainda assim, afirmam que seguirão mobilizados para acompanhar possíveis novas medidas relacionadas às hidrovias amazônicas.

Com informações do Terra