Iphan promove encontro em Belém para proteger cultura de matriz africana

Evento reúne baianas de acarajé e lideranças religiosas para discutir salvaguarda e tombamento no Pará

Publicado em 24 de abril de 2026 às 16:14

Evento reúne baianas de acarajé e lideranças religiosas para discutir salvaguarda e tombamento no Pará
Evento reúne baianas de acarajé e lideranças religiosas para discutir salvaguarda e tombamento no Pará Crédito: Reprodução 

Nesta terça-feira (28), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional realiza, em Belém, um encontro voltado à proteção de bens culturais de matriz africana, com oficinas e debates sobre o Ofício das Baianas de Acarajé e o processo de tombamento de terreiros no estado.

A programação acontece das 8h às 17h, no Teatro Estação Gasômetro, reunindo representantes do poder público, associações, comunidades tradicionais e lideranças religiosas. A proposta é orientar e ouvir os participantes sobre políticas de preservação cultural e construção de ações práticas no Pará.

Pela manhã, o foco será o Ofício das Baianas de Acarajé, reconhecido como patrimônio cultural brasileiro desde 2004. Segundo a superintendente do Iphan no Pará, Cristina Vasconcelos, o reconhecimento, que antes estava mais associado à Bahia, agora passa a ser tratado como um patrimônio nacional, envolvendo outros estados.

Cristina Vasconcelos, superintendente do Iphan no Pará
Cristina Vasconcelos, superintendente do Iphan no Pará Crédito: Reprodução

“Os estados brasileiros hoje estão fazendo esse levantamento de onde tem baianas, associações, pra fazer o plano de salvaguarda e chamar todos os entes públicos para que tomem conhecimento e façam as políticas públicas acontecerem”, explicou.

A ideia é mapear essas trabalhadoras, entender suas realidades e construir políticas que garantam direitos, valorização e inserção econômica. Durante o evento, também serão apresentadas as etapas necessárias para a criação de um plano de salvaguarda, com participação ativa da sociedade civil.

“Vamos explicar o passo a passo a partir de agora pra fazer esse plano de salvaguarda acontecer”, destacou a superintendente.

À tarde, o debate se volta para o tombamento de terreiros de matriz africana, uma medida que pode garantir proteção legal e reconhecimento histórico desses espaços.

“A gente sabe que essa forma religiosa precisa ser resguardada também, uma vez que faz parte da nossa história e desse país”, afirmou Cristina.

Segundo ela, já foram enviados convites a terreiros e irmandades previamente identificados, que participarão das discussões sobre como iniciar os processos de proteção e quais caminhos devem ser seguidos.

O tombamento, de acordo com o Iphan, é um instrumento que assegura a preservação desses espaços para as próximas gerações, garantindo a continuidade de práticas, saberes e tradições.

“Através do tombamento, eles se resguardam, se salvaguardam para as próximas gerações, com manutenção dessa transmissão de saberes e também com a possibilidade de políticas públicas acontecerem”, explicou.

Além das apresentações técnicas, o encontro também terá momentos de escuta, permitindo que participantes compartilhem experiências e contribuam com propostas.

A expectativa é que cerca de 80 pessoas participem do evento, que busca fortalecer a proteção do patrimônio cultural afro-brasileiro no Pará e ampliar o diálogo entre comunidades e poder público.