Publicado em 4 de setembro de 2026 às 12:35
Enquanto a maioria dos jogos escolares reúne provas como corrida, futebol, vôlei e salto em distância, uma competição realizada na Ilha do Combu, em Belém, tem modalidades que só fazem sentido na realidade de quem vive às margens dos rios amazônicos. Entre elas estão a subida em açaizeiro, a corrida de canoa, a pesca com caniço e até a confecção da peconha, instrumento usado para escalar palmeiras.>
As atividades fazem parte da 12ª edição dos Jogos do Território e da Ancestralidade, promovidos pela Escola Municipal de Educação do Campo (Emec) Milton Monte. Cerca de 140 estudantes participam das disputas, inspiradas em práticas que fazem parte do cotidiano das comunidades ribeirinhas.>
Nas provas, habilidades aprendidas desde cedo pelas crianças ganham caráter competitivo. A subida e descida no açaizeiro, por exemplo, exige equilíbrio, força e domínio da peconha. Já a corrida de canoa coloca à prova a técnica de remada utilizada diariamente pelos moradores da região para se deslocar entre comunidades.>
Outras modalidades também têm relação direta com a floresta e os rios, como o arremesso de ouriço de castanha-do-pará e de cacau, a debulhagem do açaí, a pesca com caniço, a natação no rio e a corrida do boco, brincadeira tradicional feita com a palha desprendida do açaizeiro.>
A proposta dos jogos é aproximar o ambiente escolar dos conhecimentos e costumes vivenciados pelos estudantes fora da sala de aula. Em vez de adaptar os alunos a modalidades esportivas convencionais, a competição transforma práticas tradicionais em provas esportivas.>
A programação também inclui atividades mais comuns em competições estudantis, como futebol, queimada, cabo de guerra, salto em distância e jogos de mesa. Mesmo assim, são as modalidades ligadas ao território ribeirinho que tornam o evento diferente de outros jogos escolares realizados no país.>