'Joias da Amazônia' ganha vitrine nacional na FENINJER+ com apoio do Sistema FIEPA

O "Joias da Amazônia" foi criado para a COP30 e apresentado em Belém, na Casa SESI Indústria Criativa, com apoio da FIEPA

Publicado em 19 de agosto de 2026 às 11:20

'Joias da Amazônia' ganha vitrine nacional na FENINJER+ com apoio do Sistema FIEPA - 
'Joias da Amazônia' ganha vitrine nacional na FENINJER+ com apoio do Sistema FIEPA -  Crédito: Divulgação

A biojoalheria paraense ganhou uma das principais vitrines do setor joalheiro na terça-feira (18), em São Paulo. Artesãs do projeto Joias da Amazônia apresentaram suas criações na 83ª FENINJER+, maior feira de joias da América Latina, em uma participação apoiada pela Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA) e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI).

O presidente do Sistema FIEPA, Alex Carvalho, acompanhou as artistas durante a programação e destacou o significado de ver o projeto, apresentado inicialmente durante a COP30, em Belém, avançar para um ambiente de negócios e de conexão com o mercado nacional.

“É um momento de emoção. Emoção de verdade, porque muito se falou sobre legados. Hoje, estamos diante de um grande legado, em que aquela semente está frutificando”, afirmou Alex Carvalho.

Ao lado da diretora-presidente do Instituto Elabora Social, Nathalie Kuperman, e das artesãs, o presidente ressaltou que as peças carregam elementos que vão além do design. “São joias peculiares, que trazem saberes, ancestralidade, cultura e a riqueza da Amazônia. Tudo isso está integrado aos desafios sociais e econômicos”, disse.

Para Alex Carvalho, a chegada das artesãs à FENINJER+ representa mais um passo para aproximar a produção amazônica de novos mercados e gerar oportunidades a partir dos conhecimentos e recursos do território.

“Temos compromissos e temos sonhos. Tenho certeza de que este é mais um passo de uma caminhada muito bonita. Não somente essas artesãs poderão mostrar o seu trabalho ao mundo, como também existe uma realização profissional e uma realização pessoal que cada um de nós carrega um pouco dentro de si”, destacou.

Da Amazônia para o mercado

Idealizado pelo Instituto Elabora Social, o "Joias da Amazônia" foi criado para a COP30 e apresentado em Belém, na Casa SESI Indústria Criativa, com apoio da FIEPA. Presente do SESI para a cidade, a Casa tem se consolidado como um espaço de valorização da cultura, da criatividade e da produção artística, sendo palco de trabalhos e iniciativas que aproximam a indústria, a arte e a sociedade. Foi nesse ambiente que o Joias da Amazônia ganhou visibilidade durante a COP30. Nesta terça-feira, o projeto viveu uma nova etapa ao chegar à FENINJER+.

“O projeto Joias da Amazônia foi criado para a COP30. Nós apresentamos em Belém e, agora, pousamos aqui em São Paulo, na FENINJER, a maior feira de joias da América Latina”, explicou Nathalie Kuperman.

A experiência colocou as artesãs em contato direto com profissionais e representantes de um mercado tradicionalmente ligado aos metais e às pedras preciosas. Para a designer de joias Bianca Camino, esse contraste ajudou a evidenciar a força da produção amazônica.

“Aqui já está sendo uma experiência incrível, porque a gente percebe a curiosidade e o quanto a nossa biojoalheria é rica. Estamos em uma área em que respiramos pedras preciosas e metais. E vemos a nossa joalheria contemporânea trazendo os nossos materiais, com as pessoas se interessando, perguntando e percebendo o quanto temos potencial para crescer e expandir”, contou.

Segundo Bianca, o caminho percorrido desde a preparação para a COP30 também ajudou as próprias participantes a reconhecerem o valor da produção desenvolvida no Pará.

“Todo esse processo tem sido de grande importância para a gente ressignificar e entender o quanto o nosso trabalho é importante. Às vezes, pensamos em uma joalheria muito tradicional, de prata, de ouro e de pedras preciosas. Mas a riqueza que trazemos da floresta, dos territórios, dos artesãos, da cadeia e da comunidade é muito grande. É isso que precisamos abraçar, carregar e levar ainda mais para o mundo”, afirmou.

Um sonho que saiu do quilombo

Para Josane Santos, a Zani, a participação na feira representou a concretização de uma possibilidade que, até pouco tempo, parecia distante. A artesã saiu do Quilombo Boa Vista para apresentar em São Paulo um trabalho ligado à cultura e aos saberes de sua comunidade.

“É uma oportunidade única. Estou muito feliz de estar participando. Durante um longo período, pensei que isso seria impossível, porque estava muito fora da minha realidade no quilombo”, relatou.

Ao conversar com Alex Carvalho durante a feira, Zani contou que o sonho agora é ampliar ainda mais esse caminho e trazer a mãe, também artesã, para participar de futuras oportunidades.

“O meu sonho é trazer a minha mãe para participar, porque ela é uma das artesãs. É ela quem cria e faz a onça. Também quero levar ainda mais a nossa cultura para que o mundo inteiro possa conhecê-la, tanto no Brasil quanto fora do país. Acho que é uma cultura muito rica, mas que acaba ficando muito isolada e que muitas pessoas precisam conhecer”, disse.

Alex Carvalho ressaltou que ampliar o acesso dessas artistas ao mercado é uma construção que envolve diferentes instituições e pessoas.

“Certamente, não é apenas o seu sonho. É o sonho da Bianca, o sonho da Nathalie e o sonho de muitas pessoas. Tenho muita felicidade em me juntar a esse sonho. Que todos nós sejamos capazes de, unidos, fazer com que o seu sonho, Zani, e o seu sonho, Bianca, passem a ser cada vez mais o nosso sonho. O mundo é de vocês, e nós vamos juntos alcançá-lo”, afirmou.

Indústria e desenvolvimento

Além de acompanhar as artesãs, Alex Carvalho participou nesta terça-feira do painel “O Papel da Indústria no Desenvolvimento da Economia Brasileira”, a convite do Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM), realizador da FENINJER+.

A participação reforçou o debate sobre como agregar valor aos recursos, à criatividade e aos conhecimentos produzidos na Amazônia, conectando desenvolvimento industrial, qualificação, inovação e geração de oportunidades.

A FENINJER+ segue até quinta-feira (20), no Transamérica Expo Center, em São Paulo. A presença do Joias da Amazônia na feira amplia uma trajetória iniciada em Belém e abre novas possibilidades para que a biojoalheria, os saberes e a cultura produzidos nos territórios paraenses alcancem novos públicos e mercados.