Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 18:57
O jornalista paraense Geovany Dias, de 32 anos, conquistou o Emmy Award na categoria de Melhor Cobertura Jornalística nos Estados Unidos. O prêmio reconheceu uma série de reportagens investigativas sobre o envolvimento de um xerife do Condado de Osceola, na Flórida, com o crime organizado, investigação que levou à prisão do agente público. A cerimônia de premiação ocorreu no dia 6 de dezembro.>
Natural de Mosqueiro, distrito de Belém, Geovany é formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e atua no mercado de telejornalismo norte-americano desde 2019. Ele vive nos Estados Unidos desde 2017 e acumula, ao longo da carreira, cinco indicações ao Emmy entre 2022 e 2025.>
A trajetória internacional, no entanto, não começou com um plano definido. Segundo o jornalista, em conversa com o Roma News, a decisão de sair do Pará surgiu de forma espontânea, quando optou por fazer um curso de jornalismo digital na Flórida, em 2017. “Tudo foi muito orgânico”, relembra. Ao fim daquele ano, foi contratado pelo Valencia College, instituição onde estudava, para atuar no departamento de comunicação.>
Após mais de um ano e com o processo imigratório concluído, Geovany decidiu se candidatar a vagas em emissoras de televisão. Em 2019, conquistou o primeiro trabalho como produtor sênior em uma afiliada da ABC News no norte da Flórida, iniciando sua consolidação no jornalismo televisivo dos Estados Unidos.>
Reportagem investigativa>
A série de reportagens que rendeu o Emmy envolveu desafios complexos e cuidados rigorosos. O investigado era uma autoridade eleita, o que exigiu atenção redobrada na apuração e na construção das matérias. “Antes de qualquer reportagem ir ao ar, todos os scripts precisavam ser avaliados e checados três vezes, para garantir que toda a informação estivesse correta e sem implicações legais”, explica.>
Geovany foi responsável por abordar a reação da comunidade local, composta majoritariamente por imigrantes e latinos, que havia elegido o xerife. “A representatividade dele e o impacto negativo para a comunidade foram muito grandes”, afirma. A emissora foi a única a noticiar o caso no momento inicial da investigação, o que aumentou a responsabilidade da equipe.>
Com a repercussão do caso, outras emissoras passaram a acompanhar o desdobramento da investigação. Ainda assim, segundo o jornalista, o compromisso era manter a cobertura mais completa e atualizada possível. “Precisávamos garantir que nossa apuração continuasse sendo a mais sólida, mantendo a confiança dos telespectadores”, destaca.>
De Mosqueiro para o mundo>
Para além da conquista profissional, o Emmy também representa a superação de barreiras pessoais. Geovany afirma que atuar fora do país traz um peso simbólico ao representar jornalistas brasileiros e paraenses. “Sempre existe aquela dúvida se a gente vai dar conta, se vai conseguir fazer um ao vivo em inglês, escrever um VT, entrevistar alguém. Mas só dá para saber tentando”, reflete.>
Mesmo vivendo nos Estados Unidos há quase oito anos, a ligação com o Pará permanece forte. “Absolutamente tudo”, diz ao falar sobre o que Mosqueiro ainda representa em sua vida. A saudade envolve as pessoas, os lugares e as memórias do cotidiano em Belém, como o trajeto do aeroporto ao centro da cidade.>
A cultura paraense também segue presente na rotina do jornalista, especialmente por meio da culinária. Tapioca é presença constante em casa e, recentemente, Geovany conseguiu encontrar pupunha por meio de um site internacional. “A culinária do Pará me acompanha sempre”, conclui.>