Publicado em 9 de junho de 2026 às 11:44
A Justiça Federal determinou que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) adote medidas para avançar na regularização do Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Terra Nossa, localizado entre Novo Progresso e Altamira, no sudoeste do Pará. A decisão atende a um pedido do Ministério Público Federal (MPF).>
Pela sentença, o Incra terá 30 dias para apresentar um cronograma atualizado com as ações previstas para concluir os processos de supervisão ocupacional do assentamento. O documento deverá detalhar o andamento de cada procedimento, as medidas ainda necessárias e possíveis obstáculos administrativos ou jurídicos.>
O instituto também foi obrigado a enviar relatórios trimestrais à Justiça, informando o progresso dos trabalhos e as medidas adotadas para retirar ocupantes irregulares da área. A decisão ainda reconhece a demora do poder público na resolução do problema, embora destaque avanços recentes apresentados pelo Incra. Ainda cabe recurso.>
Área enfrenta conflitos há quase duas décadas>
Criado em 2006 para beneficiar cerca de mil famílias da reforma agrária, o PDS Terra Nossa ainda está longe de atingir esse objetivo. Segundo o MPF, menos de 300 famílias foram assentadas até hoje, enquanto aproximadamente 700 lotes seguem ocupados irregularmente por fazendeiros e grileiros.>
Na ação civil pública apresentada em março de 2025, o MPF apontou que a falta de retirada dos invasores contribuiu para um cenário permanente de conflitos fundiários e violações de direitos humanos. Entre 2018 e 2023, ao menos cinco pessoas foram assassinadas ou desapareceram na região em disputas por terras.>
Além dos conflitos, o assentamento também enfrenta graves problemas ambientais. A área foi atingida pelo chamado “Dia do Fogo”, em 2019, quando incêndios criminosos destruíram plantações de famílias assentadas. Novos ataques foram registrados em 2022 e, em 2024, o avanço das queimadas exigiu a atuação da Força Nacional de Segurança Pública.>