Levantação dos Mastros abre oficialmente a temporada do Sairé 2026 em Alter do Chão

Rito tradicional reuniu moradores, a Corte do Sairé e visitantes em uma manhã de cantos, orações e disputa simbólica entre os grupos do Juiz e da Juíza

Publicado em 17 de setembro de 2026 às 17:47

Celebração do Sairé 2026.
Celebração do Sairé 2026. Crédito:  Ronaldo Ferreira/CCOM 

A celebração do Sairé 2026 teve início na manhã desta quinta-feira (17) com a tradicional Alvorada e o rito de Levantação dos Mastros na vila de Alter do Chão, em Santarém. A caminhada pelas ruas abriu oficialmente a temporada de festejos com cantos, orações e homenagens à Santíssima Trindade e a Deus-Pai. Diante da igreja na Praça 7 de Setembro, o cortejo seguiu em busca dos juízes da festa, onde os integrantes do rito foram recebidos com cantos de folia e café da manhã comunitário nas residências.

Após a caminhada, autoridades e lideranças comunitárias participaram do ato cívico de hasteamento das bandeiras na Praça do Sairé, que contou com pronunciamentos do primeiro e do segundo cacique locais. Na sequência, iniciou-se a preparação e o erguimento das estruturas. Os mastros foram enfeitados com folhagens de murta, frutas tropicais e receberam, no topo, uma garrafa de cachaça e a bandeira do Divino Espírito Santo. O mastro do Juiz traz devoção a São José, enquanto o da Juíza é dedicado a Nossa Senhora.

Durante a levantação, homens e mulheres participaram de uma disputa simbólica para ver qual mastro seria erguido primeiro, mobilizando a torcida do público presente. Segundo o capitão da Corte do Sairé, Carlos Camargo, os mastros representam a fartura e a partilha, destacando que a retirada das peças da floresta exige permissão dos ancestrais e o posterior replantio de novas árvores. O prefeito de Santarém, Zé Maria Tapajós, ressaltou a importância da festividade para a valorização da memória e da cultura do povo Borari.

Com o tema “Rêdawa Ancestral”, a programação do Sairé 2026 em Alter do Chão reúne ritos religiosos, celebrações comunitárias e a tradicional disputa entre os botos Rosa e Tucuxi.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.